Leões se encaram fora do gramado: Salvador quer troca definitiva; Recife prefere fatiar o negócio e alongar a novela.
Há negociações que não se resolvem com números, mas com orgulho. Vitória e Sport, dois clubes que carregam a mística do sofrimento e da resistência, vivem um impasse digno de tragédia esportiva na tentativa de costurar os destinos de Filipe Machado e Thiago Couto. A mesa de negociação virou palco, e cada lado se recusa a piscar primeiro.
O Vitória, com a desconfiança típica de quem já viu promessas virarem fumaça, propôs uma troca em definitivo: entrega o volante Filipe Machado e recebe o goleiro Thiago Couto como quem sela um pacto irrevogável. O Sport, cauteloso como um personagem que conhece o final das tragédias, prefere separar as histórias — quer Machado por empréstimo e sonha vender Couto como quem negocia joias de família.
O desacordo, por ora, é absoluto. E cresce alimentado por um detalhe quase íntimo: o gol do Vitória. Na Toca do Leão da Barra, há a sensação de excesso — Lucas Arcanjo, Gabriel e a lembrança ainda viva de Thiago Couto. Três goleiros, três egos, três futuros possíveis. Não por acaso, o presidente Fábio Mota já verbalizou mais de uma vez o desejo de negociar Arcanjo, como quem tenta aliviar a pressão antes da explosão.
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O pano de fundo institucional também pesa. Ambos os clubes estreiam novos arquitetos do futebol. No Recife, Ítalo Rodrigues, velho conhecido da gestão rubro-negra baiana, tenta imprimir método. Em Salvador, Sérgio Papellin assume a missão de reorganizar a casa. Quando diretores mudam, os acordos costumam andar com passos curtos e olhares desconfiados.
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| Filipe Machado em ação no Ba-Vi — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória |
Aos 29 anos, Filipe Machado carrega uma carreira marcada por idas e vindas. Chegou ao Vitória em 2024, saiu emprestado ao Coritiba, jogou 41 partidas, deu três assistências e voltou campeão da Série B — um currículo honesto, mas que ainda pede um ponto final convincente. Seu contrato com o clube baiano termina ao fim da temporada, o que adiciona urgência ao debate.
Thiago Couto, por sua vez, viveu no Barradão um semestre que beirou o épico. Chamado às pressas após a lesão de Lucas Arcanjo, respondeu com atuações decisivas na reta final da Série A, reafirmando a antiga tradição do Vitória: goleiros que salvam temporadas quando tudo parece perdido. Aos 26 anos, segue vinculado ao Sport desde 2024, mas ainda sem a consagração definitiva na Ilha do Retiro.
Por ora, o impasse permanece. E, como em toda boa crônica, ninguém ousa prever o desfecho. No futebol, assim como na vida, o acordo só nasce quando alguém aceita perder um pouco — ou quando o silêncio se torna insuportável.
Fonte: Apuração própria com base em informações do ECV| Fotos: EC Vitória



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