De reservas a crias da base, Vitória transforma o Baiano em palco de julgamento interno
Garotos formados na Toca e jogadores esquecidos em 2025 ganham o estadual como vitrine para tentar escapar do limbo e alcançar o time principal.
Salvador — O Campeonato Baiano, que para muitos clubes é apenas um rito protocolar de verão, assume no Vitória um papel mais cruel e definitivo. Será o campeonato do “ou agora ou nunca”. Enquanto o grupo principal se prepara para o Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro lança ao estadual um time alternativo — formado por jovens da base, reservas reincidentes e sobreviventes de lesões — sob o comando de Rodrigo Chagas. Para eles, cada jogo será um interrogatório; cada erro, uma sentença.
A estreia acontece neste sábado, contra o Atlético de Alagoinhas, no Barradão. No papel, é apenas a abertura do Baianão. Na prática, é o início de uma peneira emocional. Quem convencer, sobe. Quem falhar, desaparece nas estatísticas.
O Vitória deixa claro que o estadual será disputado majoritariamente por atletas que se reapresentaram no primeiro grupo, ainda em dezembro. A eles foi dado um privilégio raro no futebol moderno: tempo para provar valor sem o peso imediato do Brasileirão.
Jovens que pedem passagem
Entre os nomes observados com lupa está Paulo Roberto. O lateral-direito de 20 anos já sentiu o gosto da Série A em 2025 e agora surge como titular natural no Baiano. Com Claudinho ainda em recuperação e Mateusinho reservado ao time principal, o corredor direito pode ser, finalmente, seu território.
Outro que retorna como quem reaparece após um longo silêncio é Kauan. Zagueiro de apenas 18 anos, viu sua primeira temporada no profissional ser interrompida por uma fratura. Recuperado, volta com a bênção explícita de Rodrigo Chagas, que não economizou palavras ao descrevê-lo: “enche os olhos”. No futebol, isso equivale a um atestado de esperança.
Os que buscam redenção
Jamerson é o retrato da injustiça esportiva. Titular absoluto até junho, foi derrubado por uma grave lesão no tornozelo. Recuperado e com empréstimo renovado até o fim de 2026, entra no Baiano para recuperar ritmo — e, quem sabe, o posto que lhe foi arrancado pelo acaso.
Já Kike Saverio carrega o peso da expectativa internacional. Formado no Barcelona, chegou cercado de curiosidade, mas quase não jogou. Foram apenas 32 minutos em campo. Agora, observado de perto pela diretoria, tem no estadual a chance de provar que não foi um erro de cálculo.
Felipe Cardoso vive drama semelhante. Artilheiro do último Baiano por outro clube, chegou ao Vitória como promessa imediata. Em 2025, porém, virou figurante. O estadual lhe oferece a oportunidade de alinhar fama passada e produção presente.
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O gol como última trincheira
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No gol, a escassez virou chance. Yuri, com apenas 12 jogos pelo profissional, pode assumir a meta rubro-negra diante das indefinições e lesões que assolam o elenco principal. Para um goleiro, o Baiano pode ser consagração ou exílio definitivo.
Assim, o Vitória entra no Campeonato Baiano não apenas para competir, mas para observar a si mesmo. O estadual vira espelho: alguns verão ali seu futuro refletido; outros, apenas a confirmação de que o futebol é um palco que nem todos conseguem ocupar por muito tempo.
Fonte: ECV— Fotos: EC Vitória



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