Entre a prudência médica e o desejo da arquibancada, o retorno do atacante transforma o cotidiano rubro-negro em um drama de expectativa silenciosa.
Salvador — No futebol, como na vida, há retornos que não se anunciam com fogos, mas com silêncio. Marinho está de volta ao Vitória. Foi anunciado, regularizado, apresentado. Falta apenas o detalhe que move paixões e precipita julgamentos: entrar em campo. Enquanto isso não acontece, o Barradão — e tudo o que ele simboliza — aprende a esperar.
O atacante de 35 anos não joga desde 18 de outubro de 2025, quando ainda vestia a camisa do Fortaleza. Uma entorse no tornozelo esquerdo interrompeu a temporada, mas não o ofício. Recuperado, sem clube, Marinho treinou nas férias como quem sabe que o futebol não perdoa a negligência. Voltou em forma, mas o corpo, esse juiz implacável, exige cautela.
O Vitória, por sua vez, vive um paradoxo típico dos clubes populares: precisa vencer agora, mas não pode errar amanhã. Marinho segue um cronograma de recondicionamento físico. Nada de atalhos, nada de heroísmo precoce. A estreia não tem data oficial, embora nos bastidores se trabalhe com uma possibilidade simbólica e carregada de ironia: o dia 10 de fevereiro, contra o Flamengo, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro.
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Se o futebol fosse literatura — e às vezes é — este seria um reencontro clássico: o jogador que volta, o passado que observa e a torcida que julga antes do primeiro toque na bola. Marinho defendeu o Flamengo entre 2022 e 2023, disputou 60 partidas e conquistou títulos que pesam: Libertadores e Copa do Brasil. Nada disso entra em campo, mas tudo isso entra na memória.
Jair Ventura, técnico do Vitória, tenta proteger o enredo de um final precipitado. Após a vitória sobre o Remo, pediu calma. Não a calma protocolar dos discursos vazios, mas a calma necessária para que o corpo acompanhe o desejo. Citou o caso do meia Martínez, anunciado há duas semanas e ainda fora das relações. “Temos que ter calma”, repetiu, como quem sabe que no futebol a pressa costuma cobrar juros altos.
Enquanto Marinho aguarda, o Vitória segue seu roteiro no Campeonato Baiano. Neste domingo, às 16h, enfrenta o Barcelona de Ilhéus no Barradão, pela sexta rodada do estadual. Será sem o novo reforço, mas não sem expectativa. Porque o torcedor não espera apenas por um jogador. Espera por um sinal, um gesto, uma promessa de que dias mais vibrantes estão por vir.
Por F. M. Ravenscroft — Salvador
Publicado em 31 de janeiro de 2026


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