Atacante avança em negociação após surgir na arquibancada no Ba-Vi e Rubro-Negro aposta na memória afetiva para reagir na temporada
Salvador — Há retornos que não se explicam apenas com números, contratos ou planilhas. Eles acontecem porque o futebol, no fundo, é um romance mal resolvido.
O Vitória está muito próximo de oficializar o retorno de Marinho. O atacante e o clube chegaram a um acordo verbal nesta segunda-feira, um dia depois de o jogador reaparecer no Barradão não como protagonista em campo, mas como torcedor, diluído entre mais de 30 mil rubro-negros no Ba-Vi. A imagem foi simbólica — e decisiva.
As conversas avançaram rapidamente após o clássico. O Vitória havia resistido à contraproposta inicial do atleta, mas o tom mudou. Clube e jogador encontraram um consenso salarial e alinharam os termos de um contrato válido por uma temporada, com metas esportivas que podem estender o vínculo por mais um ano. A assinatura deve ocorrer durante um evento em um shopping de Salvador.
Livre no mercado desde o fim de seu contrato com o Fortaleza, encerrado no final de 2025, Marinho acompanhou a derrota rubro-negra no meio da torcida. O revés no clássico acelerou decisões. No Vitória, entendeu-se que o time precisava mais do que ajustes táticos: precisava de alma, identidade e alguém que conhecesse o peso da camisa.
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Marinho deixou o Vitória em 2016 como herói improvável. Foi peça central na campanha que evitou o rebaixamento naquele ano, somando 21 gols e seis assistências em 43 partidas. Saiu, como quase todos saem do futebol brasileiro, sem cerimônia. Mas deixou algo mais raro: saudade.
No último domingo, entre um grito e outro das arquibancadas, o atacante verbalizou aquilo que o torcedor sempre suspeitou: o vínculo nunca foi rompido.
“Parece que foi ontem que eu fui embora. Sempre quis viver isso aqui no time que eu virei torcedor. Minha filha nasceu na Bahia. Eu aprendi a amar esse clube. É o lugar que me abriu as portas. Tenho gratidão a vida toda pelo Vitória, independente de onde eu jogue. Sou torcedor do Vitória.”
O futebol, esse teatro de exageros, adora ironias. Marinho volta mais velho, menos veloz talvez, mas carregando aquilo que falta a muitos elencos modernos: memória. No Vitória, aposta-se que ela ainda possa decidir jogos — e, quem sabe, destinos.
Fonte: apuração com informações do Globo Esporte BA

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