Depois da estreia libertadora, o Leão encara uma sequência que não aceita ilusões
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| Matheuzinho e Zé Hugo comemoram gol em Palmeiras 0 x 2 Vitória, em 2024 — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória |
Salvador — O Vitória encerrou um jejum que já parecia maldição ao vencer na estreia da Série A após 17 anos, mas o futebol, esse sujeito cruel, não distribui flores por gratidão. A partir desta quarta-feira, contra o Palmeiras, o Rubro-Negro inicia uma sequência de confrontos que separa entusiasmo de maturidade.
A vitória sobre o Remo, no Barradão, teve gosto de absolvição. Não foi apenas uma vitória: foi o fim de um constrangimento histórico. Durante 17 anos, o Vitória estreava na elite como quem pede desculpas por existir. Desta vez, entrou em campo como quem cobra respeito.
Mas o futebol não vive de atos simbólicos. Vive de continuidade. E é aí que começa o verdadeiro exame. Os próximos quatro adversários do Leão terminaram o último Campeonato Brasileiro entre os sete primeiros colocados. Não é sequência: é provação.
O primeiro obstáculo atende pelo nome de Palmeiras, vice-campeão brasileiro de 2025, nesta quarta-feira, na Arena Barueri. Em seguida, o Vitória recebe o Flamengo, atual campeão, no Barradão. Depois, encara o Botafogo fora de casa e fecha a série diante do Bahia. É o tipo de roteiro que não permite fingimentos.
Contra o Palmeiras, curiosamente, o Vitória guarda boas lembranças recentes. O Leão não perde para o time paulista há três partidas. Nos dois últimos jogos em São Paulo, sequer sofreu gols. A última derrota ocorreu há quase dois anos, na estreia do Brasileirão de 2024.
O problema — e o futebol adora esse tipo de ironia — é que quase nada sobrou daquele Vitória vencedor. O técnico mudou. O elenco foi desmontado. Dos 16 jogadores que entraram em campo na vitória por 2 a 0 em 2024, apenas Matheuzinho permaneceu. O resto virou estatística, memória ou rodapé de reportagem.
Jair Ventura sabe disso. E talvez por isso sua postura seja menos inflamável e mais cirúrgica. Ele não vende epopeias. Trabalha com o que tem. E o que tem é um elenco em reconstrução, tentando aprender a caminhar sem tropeçar na própria ansiedade.
Lucas Arcanjo e Edu, remanescentes daquele confronto, estão fora por questões físicas. Outros nomes importantes já não ocupam papel central. O Vitória que entra em campo nesta quarta-feira não é herdeiro do passado — é uma tentativa de futuro.
Às 21h30, quando a bola rolar pela segunda rodada do Brasileirão, o Vitória não enfrentará apenas o Palmeiras. Enfrentará a pergunta que todo clube recém-liberto precisa responder: foi apenas uma boa estreia ou o começo de algo sério?
O futebol, como a vida, costuma responder sem delicadeza.



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