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Vitória puxa o Ba-Vi dos gringos, que pode bater Record histórico no Barradão

Clássico 508 reúne até dez jogadores estrangeiros em campo e transforma o Barradão em palco de um duelo com sotaques argentinos, uruguaios e português
Gringos no Vitória


Neste domingo, o Barradão será palco de um duelo que pode estabelecer um novo recorde de jogadores estrangeiros em campo na história do confronto. E o Vitória, dono da casa, estará no centro dessa história.

Em 94 anos de rivalidade entre Vitória e Bahia, o Ba-Vi já ganhou nomes, apelidos e capítulos que atravessaram gerações. Houve o Ba-Vi de Raudnei, o Ba-Vi da Paz, o Ba-Vi de Índio. Agora, o clássico de número 508 ameaça ganhar outro nome: o Ba-Vi dos Gringos.

Não é exagero. Os atuais elencos dos dois clubes somam 14 jogadores estrangeiros. E, entre eles, apenas um não deverá estar à disposição para o clássico: Rúben Ismael, volante português do Vitória, que está na fase final do processo de transição depois de sofrer uma lesão ligamentar no joelho esquerdo.

Se Jair Ventura e Rogério Ceni repetirem as escolhas feitas na última rodada do Campeonato Brasileiro, o Barradão poderá receber nada menos que dez estrangeiros em campo. O número seria suficiente para superar a marca histórica do clássico.

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O Vitória chega ao clássico com quatro estrangeiros utilizados contra o Botafogo na última rodada. O Bahia, por sua vez, colocou seis estrangeiros em campo diante da Chapecoense. A conta pode se repetir — e fazer história.

O Vitória e seus gringos

Do lado rubro-negro, o argentino Emanuel Brítez, o também argentino Emmanuel Martínez e Diego Tarzia começaram como titulares diante do Botafogo. Tomás Pochettino, outro argentino, entrou durante a partida.

É uma presença estrangeira que ganhou espaço no Vitória e que agora poderá escrever uma página curiosa da história do maior clássico baiano. Porque o futebol, às vezes, gosta dessas coincidências: o estrangeiro que chega para reforçar o time acaba encontrando no rival uma legião igualmente internacional.

O Bahia também vem carregado de sotaques

O Bahia não fica atrás. Contra a Chapecoense, Roman Gomez, Ramos Mingo, Nicolás Acevedo e Alejo Véliz foram titulares. Mateo Sanabria e Michel Araujo entraram no segundo tempo.

São argentinos e uruguaios espalhados pelo elenco tricolor. E justamente aí está a graça do clássico: de um lado, o Vitória tentando fazer do Barradão a sua fortaleza; do outro, o Bahia levando para o campo uma coleção de sotaques sul-americanos.

O recorde pertence ao passado recente

Até aqui, o recorde do Ba-Vi é de sete estrangeiros em campo. E o número já foi alcançado três vezes, todas em partidas disputadas entre 2025 e 2026, segundo levantamento do historiador Marcelo Monteiro.

Vitória 2 x 1 Bahia — 16 de outubro de 2025, Série A

Naquele clássico, o Bahia teve quatro estrangeiros: Santiago Arias, colombiano; Nicolás Acevedo, uruguaio; e Mateo Sanabria, argentino, começaram jogando. Michel Araujo, uruguaio, entrou no decorrer da partida.

O Vitória contou com três: Raúl Cáceres, paraguaio, e Aitor Cantalapiedra, espanhol, foram titulares. Renzo López, uruguaio, saiu do banco.

Bahia 2 x 1 Vitória — 7 de março de 2026, Campeonato Baiano

O Bahia colocou cinco estrangeiros em campo: Roman Gomez e Ramos Mingo, argentinos, além de Nicolás Acevedo, uruguaio, começaram a partida. Kike Olivera, uruguaio, e Mateo Sanabria, argentino, entraram durante o jogo.

Pelo Vitória, foram dois: Emmanuel Martínez, argentino, começou jogando, enquanto o espanhol Aitor Cantalapiedra entrou no decorrer do confronto.

Bahia 1 x 1 Vitória — 11 de março de 2026, Série A

O Bahia novamente teve cinco estrangeiros. Nicolás Acevedo, Ramos Mingo e Kike Olivera foram titulares. Michel Araujo e Mateo Sanabria entraram no decorrer da partida.

No Vitória, Emmanuel Martínez foi titular e Aitor Cantalapiedra saiu do banco.

Sete estrangeiros. Três vezes. Agora, o clássico ameaça transformar esse número em lembrança.

O Bahia vive sua temporada mais internacional

Não é por acaso que os maiores números de estrangeiros da história recente do Ba-Vi apareceram justamente agora. O Bahia vive sua temporada com maior quantidade de jogadores nascidos fora do Brasil.

O elenco tricolor possui nove estrangeiros:

  1. Guido Herrera — goleiro argentino;
  2. Roman Gomez — lateral-direito argentino;
  3. Ramos Mingo — zagueiro argentino;
  4. Marco Moreno — zagueiro espanhol;
  5. Nicolás Acevedo — volante uruguaio;
  6. Michel Araujo — meia uruguaio;
  7. Mateo Sanabria — ponta argentino;
  8. Kike Olivera — ponta uruguaio;
  9. Alejo Véliz — centroavante argentino.

Marco Moreno, zagueiro espanhol contratado pelo Bahia para o segundo semestre, é mais uma peça dessa engrenagem internacional que desembarcou em Salvador.

E o Vitória?

O Vitória tem atualmente cinco estrangeiros. Chegou a ter seis ainda neste ano, igualando o recorde histórico do clube, mas a saída do espanhol Aitor Cantalapiedra reduziu esse número.

O elenco rubro-negro conta atualmente com:

  1. Emanuel Brítez — zagueiro argentino;
  2. Emmanuel Martínez — volante argentino;
  3. Rúben Ismael — volante português;
  4. Tomás Pochettino — meia argentino;
  5. Diego Tarzia — atacante argentino.

Pochettino está emprestado ao Vitória pelo Fortaleza até o fim desta temporada. Rúben Ismael, como já mencionado, não deverá participar do clássico por ainda estar concluindo sua recuperação.

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Por que tantos estrangeiros?

A invasão estrangeira não acontece por acaso. Para especialistas em gestão esportiva, o movimento está ligado ao novo momento do futebol brasileiro. O Brasil voltou a ser uma vitrine extremamente atraente, capaz de oferecer contratos competitivos, exposição internacional e competições cada vez mais estruturadas.

Marcos Casseb, sócio da Roc Nation Sports Brazil, que administra a carreira de centenas de atletas, entende que existe uma procura real por jogadores capazes de elevar o nível competitivo dos clubes. Mas, segundo ele, essa procura também é favorecida pelas regras que facilitam a chegada de estrangeiros e pelas oportunidades financeiras existentes no mercado brasileiro.

“É o resultado de uma combinação de competitividade com aproveitamento de oportunidade de mercado.”

Na avaliação de Casseb, a busca por campeonatos mais competitivos, títulos continentais e resultados imediatos fez os clubes brasileiros olharem cada vez mais para fora. Há ainda outro ingrediente: a valorização de jogadores estrangeiros pode representar retorno financeiro superior ao obtido, em muitos casos, com atletas brasileiros.

O especialista também aponta que muitos jogadores sul-americanos enxergam o Brasil como uma porta de entrada para suas respectivas seleções. O argentino Alejo Véliz, um dos estrangeiros mais recentes a desembarcar em Salvador, apresentou justamente esse argumento ao chegar ao Bahia.

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Para Casseb, a dimensão alcançada pelo futebol brasileiro no continente já permite uma comparação ousada: o Brasil exerce hoje, dentro do ecossistema sul-americano, um papel semelhante ao da Premier League para os mercados periféricos da Europa.

É um futebol que atrai, desenvolve, expõe e vende. E os números ajudam a explicar a força dessa vitrine. Em determinado momento das Eliminatórias, o Campeonato Brasileiro chegou a ter mais jogadores convocados para a seleção do Uruguai do que a própria liga inglesa.

O estrangeiro, portanto, deixou de ser novidade. Virou mercado, estratégia e, em muitos casos, investimento.

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O Barradão será o palco

Agora toda essa história encontrará o Barradão.

O Ba-Vi 508 está marcado para 16h deste domingo, pelo Campeonato Brasileiro. O Vitória será o mandante e terá a força de sua torcida para empurrar a equipe em mais um capítulo da rivalidade.

Talvez o clássico termine com um gol brasileiro, um gol argentino, uma defesa uruguaia ou uma jogada de qualquer um desses sotaques que hoje fazem parte da paisagem do futebol baiano.

Mas uma coisa já está escrita antes de a bola rolar: o Ba-Vi dos gringos pode entrar para a história.

Se as escolhas das últimas rodadas forem repetidas, dez estrangeiros poderão pisar no gramado. Dez jogadores nascidos fora do Brasil disputando um dos clássicos mais antigos e apaixonados do país.

E é aí que mora a ironia bonita do futebol. O Ba-Vi continua sendo baiano. Continua sendo Bahia contra Vitória. Continua sendo Barradão, arquibancada, provocação e paixão. Mas, neste domingo, a velha rivalidade poderá ganhar sotaques de Buenos Aires, Montevidéu, Espanha e Portugal.

O palco é rubro-negro. A história é do Ba-Vi. E os gringos estão convidados para escrever o próximo capítulo.

O clássico começa às 16h (de Brasília), no Barradão, com transmissão da TV Bahia e do Canal Premiere.

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