Com base mantida após goleada, Rubro-Negro encara o Ceará em jogo único, entre força máxima e dúvidas que o futebol insiste em cultivar
O futebol não admite descanso — ele cobra, vigia e, às vezes, castiga. Na tarde desta terça-feira, o Vitória encerrou sua preparação para o duelo contra o Ceará como quem fecha uma carta sem saber se o destino será piedoso.
Foram apenas dois treinos. Dois. No futebol moderno, isso é quase uma piscada. Mas há times que precisam de semanas para se encontrar — e outros que, em dois dias, já se reconhecem no espelho. O Vitória, hoje, parece pertencer a essa segunda espécie.
A tendência é que Jair Ventura repita a equipe que goleou o Coritiba por 4 a 1. E aqui mora o primeiro paradoxo: no futebol, repetir pode ser ousadia. Porque repetir é desafiar o acaso, é acreditar que o passado recente não foi apenas um capricho do destino.
Lucas Arcanjo; Nathan Mendes, Cacá, Luan Cândido e Ramon;
Caíque Gonçalves, Martínez e Zé Vitor;
Erick, Matheuzinho (Diego Tarzia ou Ronald) e Renê.
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A única dúvida atende pelo nome de Matheuzinho. Saiu machucado, deixou interrogações no ar — e no futebol, uma dúvida é sempre mais pesada que uma certeza. Caso não jogue, Diego Tarzia ou Ronald assumem o posto. E veja bem: não é apenas uma troca de nomes, é uma mudança de destino.
O restante do elenco carrega ausências que já viraram rotina. Gabriel Vasconcelos, Mateus Silva, Claudinho, Edu, Camutanga, Riccieli, Rúben Ismael, Dudu, Gabriel Baralhas, Pedro Henrique e Renato Kayzer seguem fora. É um time remendado — e, curiosamente, cada vez mais inteiro.
O confronto contra o Ceará não permite erro, nem arrependimento. É jogo único. Quem vencer, avança. Quem empatar, se entrega à loteria dos pênaltis — esse ritual cruel onde o herói pode ser apenas um detalhe mal calculado.
E há mais: o adversário não é qualquer um. O Ceará é um velho conhecido — e não exatamente um amigo. É o maior algoz do Vitória em mata-matas regionais. Cinco eliminações. Cinco feridas abertas.
Mas o futebol, como já dizia o poeta louco, “é uma caixinha de surpresas — e de crueldades”. E talvez esteja aí a beleza: o mesmo jogo que condena, absolve. O mesmo adversário que derruba, pode servir de trampolim.
Às 21h30 desta quarta-feira, no Barradão, o Vitória entra em campo com um time definido — e uma alma em disputa. Porque, no fim das contas, não basta escalar onze jogadores. É preciso escalar coragem.



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