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Vitória denuncia, STJD reage: o grito vira processo — e o silêncio pode custar caro

Erick, Jair Ventura e Fábio Mota são denunciados após críticas à arbitragem; julgamento pode punir o protesto — ou consagrar o silêncio.

Erick reclama da arbitragem na zona mista da Arena da Baixada — Foto: Reprodução / RPC
Erick reclama da arbitragem na zona mista da Arena da Baixada — Foto: Reprodução / RPC

Por Redação do Vitória em Destaque — Salvador, 28 de abril de 2026

No futebol, há o erro. E há o grito contra o erro. O Vitória fez os dois — sofreu em campo e reagiu fora dele. Agora, pode pagar por ambos.

Dirão os ingênuos que o futebol se resolve com a bola. Mentira. O futebol moderno se resolve no apito — e, às vezes, no tribunal. O Vitória, que já saíra ferido da Arena da Baixada, agora descobre que há sequelas que não aparecem no placar.

O atacante Erick, o técnico Jair Ventura e o presidente Fábio Mota foram denunciados pelo STJD após críticas à arbitragem no jogo contra o Athletico-PR. Não se trata apenas de palavras. Trata-se de um velho conflito: o direito de reclamar contra o dever de calar.

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A denúncia se baseia no artigo 258 do CBJD — esse dispositivo quase filosófico que pune o excesso de emoção. Em outras palavras: o sujeito pode sofrer, mas não pode reclamar do sofrimento. Erick e Jair Ventura podem pegar de uma a seis partidas de suspensão. Já Fábio Mota corre o risco de um afastamento que vai de 15 a 180 dias.

Erick, na zona mista, foi direto — e talvez sincero demais: chamou o episódio de “roubado de novo”. No futebol, a sinceridade é uma virtude que costuma ser punida.

Jair Ventura, com ironia quase resignada, disse que tudo iria “acabar em pizza”. E o brasileiro, especialista em finais previsíveis, entendeu o recado.

Já Fábio Mota preferiu o peso da palavra definitiva: “escândalo”. E aqui mora o perigo — porque o escândalo, quando nomeado, deixa de ser suspeita e vira acusação.

O julgamento está marcado para quinta-feira. E o Vitória entra em campo novamente — não com chuteiras, mas com argumentos. A dúvida não é se houve erro. A dúvida é: pode-se dizer que houve?

Como se não bastasse, o clube enviou uma representação à CBF.

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