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Vitória alcança sete pontos e tem melhor início de Série A em mais de uma década

Com sete pontos em cinco jogos, Rubro-Negro registra seu melhor início desde 2013.

Elenco do Vitória em 2026


Por F. M. Ravenscroft — Salvador | 17 de março de 2026 

O torcedor do Vitória não confia na felicidade. Ele a observa de longe, como quem vê um milagre suspeito. E, no entanto, ali está ela — tímida, desconfiada — nos primeiros cinco jogos do Brasileirão de 2026.

Sete pontos. Duas vitórias, um empate, duas derrotas. Um início que, em qualquer outro clube, seria apenas razoável. No Vitória, é quase uma heresia: a ausência do desespero imediato. Pela primeira vez em anos, o Leão não começa a Série A com a corda no pescoço — começa com ar nos pulmões.

Os números são frios, mas o futebol é febril. E o dado que se impõe é quase literário: trata-se da melhor largada rubro-negra desde 2013, ano em que o clube flertou com a glória e terminou na quinta colocação, com 59 pontos. Naquele tempo, o Vitória parecia saber para onde ia. Depois disso, passou a apenas fugir.

A campanha atual ainda não promete nada — e talvez seja justamente isso que a torne perigosa. O torcedor acostumado ao sofrimento olha a tabela como quem desconfia de uma traição futura. Porque o Vitória dos últimos anos ensinou uma lição cruel: a esperança cobra juros.

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O início de 2026 teve de tudo. Houve a vitória segura sobre o Remo, por 2 a 0, que sugeria estabilidade. Houve também o colapso diante do Palmeiras, um 5 a 1 que parecia devolver o time ao seu lugar habitual no drama. E, como se não bastasse, a derrota em casa para o Flamengo trouxe de volta aquele velho personagem: o medo.

Mas o futebol, esse autor caótico, gosta de reviravoltas. Após um mês de ausência — um jogo adiado, um silêncio incômodo — o Vitória voltou como quem junta os próprios cacos. Empatou o clássico Ba-Vi na Fonte Nova e, no último sábado, venceu o Atlético-MG por 2 a 0 no Barradão, em uma noite que misturou futebol e emoção, com homenagem ao ator Wagner Moura.

E eis o paradoxo: o mesmo time que já foi especialista em ressuscitar na última rodada agora ensaia viver desde o início. O aproveitamento de 46,7% pode não impressionar os matemáticos, mas provoca um curto-circuito na memória recente do torcedor.

Porque 2024 e 2025 foram anos de sobrevivência, não de planejamento. Em 2024, a primeira vitória só veio no nono jogo — um atraso quase trágico. Ainda assim, o time operou uma reação improvável no returno e escapou do rebaixamento. Em 2025, a história se repetiu com outro roteiro angustiante: a permanência só foi confirmada na última rodada, como quem paga uma dívida no último segundo.

O Vitória, portanto, habituou-se ao abismo. Fez do sofrimento uma rotina, quase uma identidade. E talvez seja por isso que este início de 2026 cause estranhamento. Não há ainda euforia — apenas uma sensação rara: a de que o desastre não chegou no prazo habitual.

Mas o futebol não perdoa ingenuidades. E o próximo capítulo já se anuncia com ares de teste: o Leão enfrenta o Grêmio, em Porto Alegre, nesta quinta-feira, às 19h, pela sétima rodada. Um jogo que, para qualquer outro clube, seria apenas mais um. Para o Vitória, pode ser a confirmação de uma mudança — ou o início de mais um drama.

No fundo, o torcedor sabe: o Vitória não é um time, é um estado emocional. E, neste começo de campeonato, ele vive algo quase inédito — a suspeita de que, desta vez, talvez não precise sofrer tanto para existir.

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