O futebol tem dessas ironias que fariam qualquer dramaturgo corar de inveja. No mesmo instante em que o Vitória reencontrava o caminho da esperança, perdeu um de seus personagens mais inquietos. Marinho caiu — e, com ele, caiu também a ilusão de uma travessia sem sobressaltos.
O lance foi breve, quase banal. Aos 13 minutos do primeiro tempo, ainda na vitória sobre o Atlético-MG, Marinho tentou recuperar uma bola perdida. Correu, forçou, acreditou — e sentiu. A perna não respondeu. O corpo traiu o desejo. Saiu mancando, como quem já sabia o diagnóstico antes mesmo dos exames.
Confirmou-se o pressentimento: lesão no músculo posterior da coxa esquerda. Um detalhe clínico que, no futebol, soa como sentença. O atacante está fora do confronto contra o Grêmio, nesta quinta-feira, pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro, e também não enfrenta o Mirassol no fim de semana.
Talvez volte contra o Cruzeiro. Talvez não. No Vitória, o tempo nunca é apenas cronológico — é dramático.
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A informação, inicialmente divulgada por veículos independentes e confirmada posteriormente, apenas oficializou aquilo que o torcedor já intuía ao vê-lo deixar o campo. Há dores que não precisam de exame: bastam os olhos.
E assim, quando o Vitória começava a organizar sua narrativa no campeonato — sete pontos, sinais de estabilidade, uma rara sensação de controle — surge novamente o imponderável. Porque o futebol, como a vida, cobra caro por qualquer ensaio de tranquilidade.
Nem tudo, porém, é ausência. Erick e Caíque Gonçalves, que também deixaram o último jogo com queixas físicas, estão à disposição para enfrentar o Grêmio. Pequenas vitórias dentro de um cenário que insiste em oscilar entre alívio e apreensão.
Mas a lista de desfalques ainda pesa como um inventário de infortúnios: Claudinho e Alexandre Fintelman seguem em transição, enquanto Pedro Henrique, Rúben Ismael, Dudu e Edu permanecem fora por lesão. Um elenco que, pouco a pouco, vai sendo testado não apenas tecnicamente, mas emocionalmente.
O Vitória chega ao confronto em Porto Alegre com sete pontos na tabela — um início que flerta com a esperança, mas ainda convive com a memória recente de campanhas sofridas. Enfrentar o Grêmio, fora de casa, às 19h, não será apenas mais um jogo. Será um teste de resistência.
Porque no futebol, como diria um velho cronista, não basta vencer. É preciso sobreviver às próprias perdas. E o Vitória, que ensaiava um começo sereno, descobre mais uma vez que a tranquilidade é apenas um intervalo entre duas angústias.


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