No duelo da terceira rodada do Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro baiano tenta reconstruir a própria alma diante de um Flamengo ferido no Brasileirão, mas embalado por uma goleada no Carioca.
Há noites em que o futebol deixa de ser jogo e se transforma em confissão pública. Nesta terça-feira, às 21h30, no Barradão, o Vitória encara o Flamengo não apenas como adversário, mas como espelho. Um espelho cruel, que devolve ao Rubro-Negro baiano a imagem recente da humilhação, do erro exposto, da carne viva após a goleada sofrida em Barueri. Ainda assim, o futebol é a mais dramática das artes, e toda tragédia exige um segundo ato.
O Vitória chega à terceira rodada do Campeonato Brasileiro ocupando a 12ª posição, com três pontos e uma urgência que não cabe na tabela. A derrota por 5 a 1 para o Palmeiras não foi apenas um revés estatístico; foi uma surra moral, dessas que fazem o torcedor evitar o espelho na manhã seguinte. Desde então, o clube tentou repousar o corpo e, sobretudo, o espírito, utilizando equipe alternativa no Campeonato Baiano. O descanso foi físico, mas a memória — essa senhora implacável — permaneceu.
No centro do palco reaparece Dudu, volante e personagem improvável desta narrativa. Um dos poucos a se salvar na goleada em Barueri, ele retorna ao time titular como quem assume um papel maior que o da posição: o de sustentáculo emocional. Sua entrada pode deslocar peças, reinventar a zaga e, quem sabe, reorganizar o caos. Há ainda a expectativa pela estreia de Marinho, velho conhecido da torcida, sempre tratado como esperança e risco na mesma proporção.
ESCALAÇÕES PROVÁVEIS
Flamengo - técnico: Filipe Luís
Rossi; Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira, Alex Sandro; Pulgar, Evertton Araújo, Arrascaeta (Carrascal); Paquetá, Samuel Lino (Cebolinha) e Pedro.
Do outro lado, o Flamengo desembarca em Salvador com o orgulho inflado por um 7 a 1 sobre o Sampaio Corrêa, mas com a consciência inquieta no Campeonato Brasileiro. Atual campeão nacional, o time de Filipe Luís ainda não venceu na competição: perdeu para o São Paulo, empatou com o Internacional e carrega o peso de quem sabe que moral de estadual não compra indulgência na Série A. O treinador deve lançar mão de titulares poupados, numa tentativa de alinhar talento, fôlego e autoridade.
O Barradão, esse velho templo da resistência Colossal, será novamente cúmplice do drama. Ali, o Vitória costuma jogar como quem defende a própria casa — e, em certos dias, a própria dignidade. A partida terá transmissão do Premiere e do sportv, arbitragem de Raphael Claus e vigilância eletrônica do VAR. Mas nada disso captura o essencial: o instante em que a bola rola e o passado tenta cobrar seu preço.
Se o Flamengo entra como favorito técnico, o Vitória entra como personagem trágico em busca de redenção. E o Poeta Louco já avisava: o futebol adora contrariar a lógica, zombar dos prognósticos e oferecer milagres a quem parece condenado. No Barradão, nesta terça-feira, ninguém joga apenas por três pontos. Joga-se pela honra, pelo esquecimento e pela chance de escrever — ainda que a lápis — uma nova linha na própria história.





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