Um empate que não engana ninguém e expõe um time sem alma, sem rumo e sem grandeza
O Vitória saiu na frente, levou a virada, empatou por teimosia e deixou Jequié com a sensação de que poderia ter vencido. O placar diz 2 a 2. O futebol diz algo muito pior.
O empate do Vitória contra o Jequié, neste sábado, no Waldomirão, não foi um acidente de percurso. Foi uma confissão pública. Um atestado. Um laudo médico. Este time está doente — e não é de hoje.
O Vitória entrou em campo como quem cumpre tabela da vida. Sem nervo, sem indignação, sem aquela fúria mínima que se exige de quem veste uma camisa pesada. Abriu o placar quase por descuido e acreditou, ingenuamente, que o jogo estava resolvido. Não estava. Nunca está quando se joga mal.
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A virada sofrida não foi injusta. Foi pedagógica. O Jequié jogou com coragem. O Vitória, com burocracia. Um defendia seu espaço no mundo. O outro parecia apenas aguardar o apito final para encerrar o sofrimento.
Sofrer gol no primeiro minuto do segundo tempo é mais do que falha tática. É falência emocional. É um time que não voltou do intervalo. Um time que não pensa, não reage, não se impõe. Um time que pede desculpa à bola toda vez que tenta jogar futebol.
O empate veio, é verdade. Mas veio como esmola. Veio sem organização, sem convicção, sem projeto. Foi um gol solto, perdido no caos, como quem encontra uma moeda no chão depois de um dia inteiro de miséria.
O que mais assusta não é o placar. É o costume. O Vitória se acostumou a ser pequeno. Pequeno nas decisões, pequeno nas atitudes, pequeno na postura. A grandeza virou peça de museu.
Este time não impõe respeito. Não mete medo. Não constrange adversários. É enfrentado com tranquilidade, como quem sabe que, mais cedo ou mais tarde, o erro virá. E ele vem. Sempre vem.
O torcedor do Vitória sofre porque ama. Mas amar não é aceitar tudo. Amar também é dizer que isso é indigno. Que isso é insuficiente. Que isso é vergonhoso.
O empate em Jequié não mantém ninguém vivo. Apenas prolonga a agonia. Porque enquanto esse futebol existir, o Vitória continuará sendo um clube grande comandado por uma administração pequena.


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