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Com força máxima, o Vitória tropeça na própria vaidade e o Bahia vence o Ba-Vi 505 no Barradão

Um clássico jogado com a alma dividida: o Rubro-Negro teve força, mas não teve imaginação; o Tricolor, mesmo misto, teve frieza e saiu vencedor

Vitória perde o Ba-Vi por falta de qualidade

SalvadorO futebol, como a vida, adora ironias cruéis. No Barradão lotado, com quase 30 mil almas em estado de nervos, o Vitória entrou em campo com força máxima e saiu derrotado por um Bahia que ousou ser misto — e, por isso mesmo, inteiro.

O Ba-Vi 505, disputado na tarde deste domingo pela quinta rodada do Campeonato Baiano, terminou com vitória tricolor por 1 a 0. Um placar magro, tímido, mas carregado de significado. O gol foi de Dell, um jovem atleta que entrou em campo às pressas, substituindo o machucado Ruan Pablo, e resolveu o clássico como quem escreve seu nome na história sem pedir licença.

O resultado levou o Bahia aos 15 pontos, mantendo os 100% de aproveitamento e abrindo vantagem confortável na liderança da competição. O Vitória, por sua vez, permaneceu com seis pontos, na terceira colocação — posição honesta, mas insuficiente para quem jogava em casa e prometia grandeza.

O primeiro tempo foi o retrato fiel de um Ba-Vi clássico: truncado, nervoso, disputado mais na emoção do que na técnica. O Vitória começou melhor, empurrado pela arquibancada, e quase abriu o placar em cabeçada de Erick, defendida por Ronaldo. O mesmo Erick, livre novamente, desperdiçou chance clara nos minutos finais da etapa inicial.

CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE 

O Bahia demorou a se encontrar, mas quando acordou, assustou de verdade. Rodrigo Nestor levou perigo em cobrança de falta, Dell acertou o travessão dentro da pequena área e Caio Alexandre arriscou de longe, obrigando o torcedor rubro-negro a engolir seco cada avanço.

No segundo tempo, o Vitória até deu o primeiro suspiro, com Kayzer acertando o travessão logo nos minutos iniciais. Mas foi apenas isso: um suspiro. Aos 15 minutos, o Bahia mostrou maturidade. Nestor encontrou Iago em passe de primeira; o lateral arrancou e cruzou com precisão cirúrgica. Dell apareceu na marca do pênalti e bateu de primeira, sem drama, sem poesia — apenas gol.

Depois disso, o Tricolor recuou, organizou-se e jogou com o relógio e com a ansiedade do rival. O Vitória abusou de cruzamentos estéreis, substituiu mal e criou pouco. As mudanças tricolores reforçaram a marcação; as rubro-negras, ao contrário, soaram como pedidos de socorro que não foram atendidos.

O Bahia ainda foi mais perigoso na reta final e chegou a pedir pênalti em lance envolvendo Pulga, mas a arbitragem mandou seguir. Não fez falta. O clássico já estava decidido — não apenas no placar, mas na narrativa.

FALA ERICK

Pensando na estreia do Campeonato Brasileiro, Rogério Ceni foi econômico e inteligente. Deixou fora nomes como Everton Ribeiro, Jean Lucas, Gilberto e David Duarte. Ainda assim, venceu. Porque clássico, às vezes, não se ganha com estrelas, mas com organização e silêncio.

Agora, o Bahia segue confiante para enfrentar o Corinthians, na Vila Belmiro. O Vitória, ferido no orgulho, tenta se recompor para a estreia contra o Remo. No futebol, o pior cego é aquele que só vê a própria camisa.

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