Vitória e Bahia se enfrentam no primeiro clássico de 2026 colocando frente a frente dois treinadores, dois estilos e duas visões quase opostas de futebol, em jogo válido pela quinta rodada do Campeonato Baiano.
O Ba-Vi nunca foi apenas um jogo. É um estado de espírito, um julgamento público, uma espécie de confissão coletiva. Neste domingo, no Barradão, o clássico número 505 ganha contornos ainda mais dramáticos: de um lado, a defesa quase ascética de Jair Ventura; do outro, o ataque declarado de Rogério Ceni. É o futebol reduzido à sua essência moral — resistir ou dominar.
O primeiro Ba-Vi de 2026 coloca à prova não apenas jogadores, mas ideias. Jair Ventura, comandante do Vitória, é conhecido por organizar seus times a partir da solidez defensiva, do jogo reativo e da disciplina tática. Rogério Ceni, técnico do Bahia, prefere o caminho oposto: posse de bola, protagonismo e ataque como forma de controle emocional da partida.
Os números reforçam a narrativa quase literária do confronto. O Bahia possui o melhor ataque do Campeonato Baiano, com 15 gols marcados — mais de um terço de todos os gols do torneio até aqui — e ostenta também o melhor ataque do Brasil em 2026 entre os clubes da Série A. O Vitória, por sua vez, responde com silêncio: apenas um gol sofrido em quatro partidas, a defesa mais eficiente da competição.
Rogério Ceni está à frente do Bahia desde o início do estadual, mesmo quando escalou equipes formadas majoritariamente por atletas sub-20. Jair Ventura, ao contrário, estreou com o elenco principal apenas na última rodada, quando aplicou uma goleada por 4 a 0 sobre o Juazeirense — resultado que soou como um aviso aos rivais.
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Desde que chegou ao Vitória, em setembro de 2025, Jair Ventura deixou claro seu credo futebolístico. Linha de cinco defensores, linhas baixas, lançamentos longos e aposta na bola aérea. Foi assim que conseguiu manter o clube na Série A, com aproveitamento de 54,8% e posse média de apenas 37,9%. No vocabulário de Ventura, a palavra “controle” não passa pela posse, mas pela sobrevivência.
Após a goleada sobre o Juazeirense, o treinador rubro-negro comentou o estilo do rival. Reconheceu a velocidade do Bahia pelas pontas, mas rejeitou a ideia de um time de transições rápidas. Segundo Ventura, o Tricolor investiu para ter a bola — e a bola, como se sabe, também cobra seu preço.
O Bahia de Rogério Ceni é, em essência, o oposto do Vitória. O meio-campo controlador, a saída de bola trabalhada e o domínio territorial são marcas registradas do treinador, que terminou o último Campeonato Brasileiro com média de 55,2% de posse de bola. Para Ceni, defender é consequência de atacar bem.
O clássico deste domingo é visto internamente como o primeiro grande teste da temporada para ambos. Será a primeira vez, em 2026, que Vitória e Bahia enfrentam um adversário da Série A. Ceni reconheceu o peso do duelo ao analisar o time de Ventura, classificando o Ba-Vi como o jogo mais pesado do calendário, aquele em que errar custa caro e atacar exige coragem.
Este será apenas o segundo encontro entre Jair Ventura e Rogério Ceni à frente de Vitória e Bahia. No último, pela 28ª rodada do Brasileirão de 2025, Ventura saiu vencedor: 2 a 1 no Barradão, o mesmo palco que volta a receber o clássico agora.
Às 16h deste domingo, antes mesmo da bola rolar, o Ba-Vi já estará decidido no imaginário: defesa contra ataque, contenção contra ousadia. No futebol, como na tragédia, alguém sempre paga o preço de suas convicções.
Fonte: ECV
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