Técnico rubro-negro aprova atuação diante da Juazeirense, defende planejamento de longo prazo, explica mudança tática e admite a busca urgente por um novo camisa 9
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| 📰 Jair Ventura durante entrevista coletiva — Foto: Gabrielle Gomes |
Na noite em que o Vitória goleou por 4 a 0, Jair Ventura falou menos como treinador de uma partida e mais como administrador do tempo — esse juiz invisível que, no futebol, costuma absolver ou condenar sem aviso prévio.
O futebol brasileiro é pródigo em histerias. Uma derrota vira tragédia; uma vitória, redenção. Jair Ventura, porém, parece alheio a esse vício nacional. Após a goleada do Vitória sobre a Juazeirense, no Barradão, o treinador preferiu falar de futuro. E isso, num país que só enxerga o agora, já é uma forma de rebeldia.
Em sua primeira partida à frente do time principal em 2026, Jair viu seu Vitória dominar, impor-se e vencer com autoridade. Mateus Silva, em estreia quase cinematográfica, marcou. Renato Kayzer fez dois — gols de quem conhece o peso da área. Elivélton, contra, fechou a conta. O placar elástico recolocou o clube no G-4 do Campeonato Baiano, mas, para o treinador, o significado foi outro.
“Não ter vencido os três primeiros jogos incomodou”, admitiu Jair, com a franqueza de quem sabe que o futebol não aceita desculpas. Ainda assim, defendeu o planejamento inicial, baseado em rodagem de elenco e preparação para uma temporada longa, atípica, com o Campeonato Brasileiro começando junto ao estadual. “Vitória tem que brigar lá em cima”, disse, como quem reafirma um destino.
A mudança tática no segundo tempo foi o gesto mais visível de sua leitura do jogo. Ao sacar um zagueiro e lançar Matheuzinho, o treinador abandonou a linha de cinco defensores e ganhou agressividade. Não foi improviso: foi convicção. Jair não se apega a sistemas. Apega-se a ideias. “Não dá para jogar o ano inteiro da mesma forma”, explicou, defendendo variações como quem defende o direito à adaptação.
BUSCA POR UM CAMISA 9
Mas nem tudo foi celebração. A lesão de Renzo López — séria, com suspeita de fratura — trouxe um silêncio incômodo à coletiva. O futebol, esse espetáculo cruel, cobra seu preço até nos dias de festa. Sem o uruguaio, o Vitória vai ao mercado em busca de mais um centroavante. “Vamos ter que buscar um 9”, admitiu Jair, sem rodeios. Kayzer, sozinho, não basta para um ano que promete desgaste e cobrança diária.
"Não tem previsão de volta, não foi uma lesão simples, acho que teve uma fratura, então temos que esperar um pouco, infelizmente".
Entre reflexões sobre elenco, saúde mental dos atletas e a competitividade interna, Jair Ventura revelou um discurso raro: o da paciência ativa. Nem titularidade garantida, nem sistema engessado. “Titularidade se ganha todo dia”, afirmou. No futebol, como na vida, ninguém está salvo.
Agora, o horizonte imediato atende pelo nome de Ba-Vi. Clássico marcado para domingo, novamente no Barradão. Jair sabe o peso do duelo e não tenta diminuí-lo. “É final de Copa do Mundo”, resumiu. Talvez seja exagero. Talvez não. No futebol baiano, finais costumam acontecer antes mesmo de o campeonato aprender a caminhar.
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O Vitória venceu, convenceu e respira. Mas, nas entrelinhas da entrevista, ficou claro: a goleada foi apenas um capítulo. O livro da temporada ainda está longe do fim — e Jair Ventura parece determinado a escrevê-lo sem pressa, linha por linha.
Fonte: Entrevista coletiva de Jair Ventura após Vitória 4 x 0 Juazeirense, Campeonato Baiano 2026 · Barradão · Dados oficiais do clube e da competição



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