Mudanças de Jair Ventura alteram o destino da noite no Barradão, e o Rubro-Negro transforma impaciência em domínio na estreia do Brasileiro
O futebol é um tribunal emocional. No banco dos réus, o Vitória ouviu vaias, suspeitas e murmúrios no primeiro tempo. Mas voltou do intervalo absolvido por si mesmo. Com ajustes cirúrgicos, imposição física e gols de Renato Kayzer e Baralhas, o Rubro-Negro venceu o Remo por 2 a 0 e estreou no Campeonato Brasileiro convertendo desconfiança em aplauso.
O início foi protocolar, quase tímido. Jair Ventura mexeu pouco na escalação em relação ao Ba-Vi, apostando em Matheuzinho no lugar de Erick. A ideia era criatividade, mas o que se viu foi um time travado. O Vitória sofreu para criar, perdeu bolas na saída e abusou de lançamentos longos, como quem joga mais por obrigação do que por convicção.
O Barradão, sempre impiedoso, percebeu cedo a fragilidade. Até os 30 minutos, o gramado parecia hostil ao Rubro-Negro. As poucas chances vieram pelo alto: uma cabeçada previsível de Kayzer e finalizações tímidas de Matheuzinho. Do outro lado, Alef Manga assustou. Gabriel apenas observou a bola raspar a trave — um daqueles lances que gelam a alma do estádio.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
O intervalo chegou acompanhado de vaias. Justas, talvez. Necessárias, certamente. Porque o futebol precisa de conflito para produzir redenção.
E ela veio. Jair Ventura mexeu no time e, com isso, mexeu no jogo. Erick e Dudu entraram. Caíque virou zagueiro pela direita. O desenho mudou, mas mais do que isso: mudou o espírito. O Vitória passou a controlar a bola, ocupar o meio e jogar de dentro para fora. O sufoco começou.
Aos 12 minutos, o gol saiu do modo mais rubro-negro possível: escanteio cobrado com malícia por Erick, falha do goleiro e Renato Kayzer, oportunista como todo centroavante que respeita o ofício, cabeceando livre para as redes. O Barradão explodiu — não por euforia, mas por alívio.
Com o placar aberto, o Vitória virou dono do jogo também no físico. O Remo foi empurrado para trás, perdeu fôlego e espaço. A entrada de Fabri incendiou a partida. Pela direita, ele pressionou, correu, venceu disputas e transformou cada contra-ataque em ameaça.
LOJA AMAZON
Aos 31 minutos, veio o golpe final. Fabri cruzou, Erick tentou dominar e, no caos organizado da área, Baralhas apareceu como um personagem improvável para decretar o 2 a 0. Um gol que selou não apenas o resultado, mas a narrativa da noite.
Fabri ainda acertou a trave, sofreu pênalti e marcou em rebote — tudo anulado pelo VAR. Mas pouco importava. O Vitória já havia dito o que precisava dizer: sabe sofrer, sabe reagir e sabe decidir.
A estreia com vitória é rara e simbólica. Foi apenas a segunda vez que o clube venceu na primeira rodada da Série A por pontos corridos — a primeira no Barradão. Mais do que estatística, foi um gesto de sobrevivência. Porque este campeonato não perdoa frágeis.
O Vitória sai fortalecido, mas advertido. Ainda precisa criar melhor, sofrer menos e errar pouco. A próxima prova será dura, contra o Palmeiras. Mas se o futebol é mesmo uma tragédia humana em capítulos semanais, o Rubro-Negro ao menos começou esta edição escrevendo o seu primeiro ato com dignidade.
Fonte: Análise e dados da partida — Campeonato Brasileiro Série A 2026.


.png)
0 Comentários