Depois de um primeiro tempo nervoso e inconclusivo, o Rubro-Negro encontrou lucidez, marcou duas vezes e transformou a estreia em afirmação
O futebol, como a vida, às vezes exige paciência antes da revelação. Na noite desta quarta-feira, no Barradão, o Vitória começou tenso, quase aflito, mas terminou senhor de si. Com gols de Renato Kayzer e Baralhas, o Rubro-Negro venceu o Remo por 2 a 0 e estreou no Campeonato Brasileiro com a sobriedade de quem sabe que pontos iniciais também carregam destino.
A partida começou sob o signo da inquietação. Logo aos cinco minutos, o árbitro foi chamado pelo VAR para avaliar um possível pênalti para o Vitória. A não marcação deixou no ar aquele silêncio desconfortável típico das grandes decisões: nada havia sido resolvido, mas tudo já estava em disputa.
O Vitória tentou impor presença, cercou a área, insistiu. Renato Kayzer e Matheuzinho tiveram as melhores oportunidades, ambas interrompidas pela segurança de Marcelo Rangel, que parecia disposto a adiar qualquer euforia rubro-negra. O Remo, cauteloso e venenoso, respondeu em golpes espaçados. Alef Manga arriscou de longe e quase escreveu o primeiro capítulo do drama. Nos acréscimos, Yago Pikachu chegou a acertar o travessão, mas o lance foi anulado por impedimento — um alívio que veio com atraso, como costumam vir os alívios.
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O segundo tempo, porém, foi outra história. Se no início havia ansiedade, depois do intervalo houve clareza. O Vitória voltou mais agressivo, mais lúcido, mais adulto. Continuou insistindo com Kayzer e Matheuzinho, até que, aos nove minutos, a resistência cedeu. Em cobrança de escanteio, Marcelo Rangel falhou, e Kayzer — centroavante que vive de instinto — aproveitou o instante para empurrar a bola às redes.
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| Matheuzinho jogador do Vitoria lamenta durante partida contra o Remo no estádio Barradão pelo campeonato Brasileiro A 2026 (Foto: Jhony Pinho/AGIF) |
O Remo ainda tentou reagir. Patrick e Pikachu apareceram com perigo, e o camisa 22 teve nos pés a chance do empate, desperdiçada na pequena área. Mas ali já se desenhava o roteiro definitivo: quem hesita, perde; quem insiste, decide.
Aos 31 minutos, Baralhas surgiu como personagem improvável e decisivo. Entrou na área com precisão quase silenciosa e finalizou para ampliar o placar. O Barradão respirou aliviado. Não era apenas uma vitória — era o controle absoluto do destino da noite.
Com dois gols de vantagem, o Vitória administrou o jogo, ditou o ritmo e ainda flertou com um placar mais largo. A estreia, que começara nervosa, terminou segura. Porque no futebol, como diria Nelson Rodrigues, o drama só existe até o momento em que alguém resolve ser protagonista.
Fonte: dados da partida e informações oficiais do Campeonato Brasileiro 2026.



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