Com garotos da Fábrica de Talentos, Rubro-Negro inicia pré-temporada mirando o Baianão
No calor contido do CT Manoel Pontes Tanajura, o Vitória abriu sua pré-temporada apostando na juventude como quem aposta na última ficha — ou na primeira chance de redenção.
Há clubes que começam temporadas com discursos de grandeza. O Vitória, nesta sexta-feira, 26, preferiu começar com rapazes. Garotos da chamada Fábrica de Talentos, somados a nomes como Felipe Vieira, Jamerson, Yuri e Claudinho, deram o primeiro passo rumo a 2026.
O Convento das Esquecidas
Alguns lugares não guardam segredos.
Eles se alimentam deles.
Um romance sombrio sobre trauma, fé corrompida e horrores que jamais deveriam despertar.
É um time alternativo, dizem os comunicados oficiais. Mas o poeta louco talvez dissesse que não há nada mais definitivo do que um começo provisório. Esse grupo terá a missão de disputar o Campeonato Baiano e, logo depois, a Copa do Nordeste, entrando em cena antes do elenco principal, sob os refletores ainda frios.
A estreia no Baianão já tem data, hora e palco: 10 de janeiro, às 16h (de Brasília), contra o Atlético de Alagoinhas, no Barradão. Um estádio que não perdoa covardes, mas costuma acolher quem joga com a alma.
Antes da bola rolar, porém, o corpo precisou ser examinado. Yuri, Claudinho, Jamerson, Felipe Vieira, Paulo Roberto, Kauan, José Breno, Edenilson, Wendel, Pablo, Lucas Lohan, Lawan, Felipe Cardoso e Luís Miguel passaram pelo ritual moderno do futebol: avaliações físicas, ortopédicas, odontológicas, fisioterápicas e nutricionais.
O único a tocar o gramado neste primeiro momento foi o goleiro Yuri, que treinou especificamente com Itamar Ferreira e Paulo Musse. O goleiro, afinal, é sempre uma figura à parte — o último culpado e o primeiro herói.
A programação segue neste sábado, 27, com treino pela manhã no campo 2 e, à tarde, trabalho na academia. Nada épico à primeira vista. Mas o futebol, como a tragédia, começa nos bastidores.
O Vitória aposta nesses meninos não apenas por necessidade, mas por convicção. Porque, no fundo, todo clube grande acredita que sua salvação pode vir de onde menos se espera: de jovens que ainda não aprenderam a ter medo.


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