Fábio Mota volta a chamar o Grêmio de “time caloteiro” e explica dívidas do clube com o Vitória
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| Fábio Mota, presidente do Esporte Clube Vitória Crédito: Victor Ferreira/EC Vitória |
Em entrevista à Rádio Grenal nesta quarta-feira (10), o presidente do Vitória afirmou que o débito do Grêmio com o Rubro-Negro é de US$ 2,5 milhões e voltou a classificar o clube gaúcho como “caloteiro”.
A novela, agora, tem números diferentes conforme o lado da mesa. O Grêmio reconhece uma pendência de US$ 1 milhão. Fábio Mota, porém, sustenta que o contrato possui uma cláusula que muda completamente o tamanho da conta.
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E é aqui que a história deixa de ser apenas uma disputa entre dois clubes. Para o Vitória, o dinheiro de Wagner Leonardo já tinha destino. Estava no orçamento. Tinha endereço. Tinha compromisso.
O problema é que o dinheiro não chegou.
Mota afirma que o Vitória recebeu a primeira parcela da negociação, mas não recebeu os pagamentos seguintes. O atraso, segundo ele, abriu um buraco de aproximadamente R$ 15 milhões no planejamento financeiro do clube.
“Um furo de R$ 15 milhões no orçamento é muito grande. O que eu tive que fazer? Suspendi pagamentos de comissões para empresários, suspendi pagamentos aos clubes que passei a dever e passei a discutir para reparcelar as dívidas. Criou-se um constrangimento muito grande”, afirmou.
O presidente rubro-negro citou como exemplo parcelas das contratações de Erick, junto ao São Paulo, e Baralhas, adquirido do Atlético-GO. Segundo Mota, os valores da venda de Wagner Leonardo faziam parte da engrenagem financeira dessas operações.
“Contamos com esse dinheiro para pagar uma parcela de Erick ao São Paulo. Contamos com esse dinheiro para pagar uma parcela de Baralhas ao Atlético-GO. O Grêmio fez quase R$ 100 milhões em vendas, ignorou nossas cobranças e levamos um transfer ban da Fifa porque o contrato estava espelhado com o do Portimonense”, disse.
O transfer ban veio depois que o Portimonense, de Portugal, acionou a FIFA. O clube português detinha 30% dos direitos econômicos de Wagner Leonardo e cobrava valores relacionados à negociação.
Como o Vitória não havia recebido do Grêmio aquilo que estava previsto no acordo, precisou quitar a pendência com o clube português para retirar a punição.
Fábio Mota também contou que tentou resolver o problema diretamente com Odorico Roman, presidente do Grêmio, durante cerca de oito meses.
Segundo Mota, a promessa era simples: o Grêmio venderia jogadores e, então, pagaria o Vitória.
Mas as vendas aconteceram. E a dívida, segundo o presidente rubro-negro, continuou esperando.
“Eu passei oito meses falando com o Odorico, falando pessoalmente, mandando mensagem, ligando. Oito meses querendo uma satisfação. Ele me disse: ‘Quando eu vender o primeiro jogador, te pago’. Vendeu o primeiro, eu liguei. Vendeu o segundo, eu liguei. Vendeu o terceiro, eu liguei”, relatou.
A irritação aumentou depois da partida entre Vitória e Grêmio, vencida pelo Leão por 1 a 0, na última segunda-feira (7).
Mota esperava encontrar Odorico Roman no Barradão para discutir uma nova forma de pagamento. O encontro não aconteceu.
“Não apareceram no estádio. Odorico não estava aqui. Isso me irritou mais ainda. Satisfação também paga dívida. Eu esperava que ele viesse aqui fazer o novo plano de parcelamento, para que eu pudesse acalmar quem está me cobrando por eu não ter recebido do Grêmio. Simplesmente ignoraram”, afirmou.
O Grêmio informou que o departamento de futebol estava representado no Barradão pelo vice-presidente de futebol Rafael Lima e pelo executivo Paulo Pelaipe. Para Mota, porém, os representantes não tinham autonomia para tratar da questão.
Sem acordo direto com a atual direção gremista, o Vitória decidiu recorrer à agência de Fair Play para tentar receber os valores.
De acordo com Fábio Mota, o clube já registrou a cobrança de duas parcelas e aguarda uma decisão sobre a execução da dívida.
“Entramos na agência do Fair Play. Fizemos a inscrição da primeira parcela, hoje fizemos a inscrição da segunda parcela. A agência do Fair Play me disse que em novembro dá a decisão e como vai ser feito”, explicou.
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O futebol tem dessas coisas. A bola rola, o juiz apita, o torcedor grita. Mas, quando termina o jogo, existem outras partidas sendo disputadas longe das arquibancadas.
Nesta, Fábio Mota diz que já não quer mais conversar diretamente com o Grêmio. A cobrança agora seguirá outro caminho.
E o presidente do Vitória encerrou sua declaração com uma frase que dispensa tradução, legenda ou explicação:
Entrevista de Fábio Mota à Rádio Grenal, em 10 de setembro de 2026. Informações sobre a negociação de Wagner Leonardo, a dívida alegada pelo Vitória, o transfer ban e a posição do Grêmio foram apresentadas conforme os dados disponíveis na reportagem.



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