Diretor do Vitória, Sérgio Papellin abre os planos para os últimos dias da janela, que fecha às 19h desta sexta-feira
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| Sérgio Papellin em entrevista ao ge — Foto: TV Bahia |
O relógio corre contra o Vitória. Faltam poucos dias para o fechamento da segunda janela de transferências do futebol brasileiro, e o clube ainda procura peças para reforçar o elenco na reta final da temporada. Depois da vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio, no Barradão, que devolveu um pouco de oxigênio a um ambiente que vinha sufocado pela pressão, o Rubro-Negro voltou os olhos para o mercado.
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Ler notícia →A janela se encerra às 19h desta sexta-feira, no horário de Brasília. Até lá, o diretor de futebol Sérgio Papellin tenta encontrar jogadores que possam acrescentar qualidade ao grupo. Mas existe uma condição: o Vitória não quer contratar por desespero. Não quer colocar um jogador dentro do Barradão apenas para acalmar a arquibancada ou produzir uma manchete.
A declaração de Papellin revela um mercado difícil, caro e, sobretudo, impiedoso com quem precisa contratar. Há jogadores observados no Brasil, especialmente em clubes das Séries B e C, além de uma tentativa por um atacante colombiano. O problema é que, quando o Vitória bate à porta, nem sempre encontra uma porta aberta.
Vitória continua no mercado, mas sem pressa
Papellin confirmou que o clube segue trabalhando para tentar fechar pelo menos uma contratação até sexta-feira. A procura passa por jogadores que atuam no futebol brasileiro, principalmente nas divisões inferiores. É uma busca que exige paciência, porque o Vitória não dispõe de espaço financeiro para entrar em leilões.
“Estamos tentando alguns jogadores aqui do Brasil para ver se até sexta-feira a gente consegue trazer algum, mas não vou trazer só por trazer, para dar satisfação a torcida e imprensa”, afirmou o dirigente.
A declaração carrega uma mensagem direta. Contratação, no futebol, pode ser festa no dia da apresentação e problema durante meses. O Vitória procura jogadores capazes de ajudar dentro de campo, e não simplesmente nomes capazes de silenciar temporariamente as cobranças.
“Espero encontrar peças boas nesses mercados de Série B e Série C, dá para encontrar bons jogadores, com idades, boas. Estamos tentando algo até sexta-feira, mas não adianta trazer só por trazer”, completou Papellin.
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Um atacante colombiano e a barreira do milhão de dólares
A busca do Vitória também atravessa a fronteira. O clube tenta contratar um atacante da Colômbia e chegou a apresentar uma proposta de empréstimo. Foi aí que apareceu outro personagem dessa novela: o dinheiro.
Segundo Papellin, os clubes interessados não demonstraram disposição para emprestar o jogador. A preferência é pela venda, com valores que ultrapassam US$ 1 milhão. Para o Vitória, assumir sozinho esse risco por um atleta que ainda não foi testado pelo clube seria uma aposta pesada demais.
“Estou tentando também um atacante da Colômbia, fiz proposta de empréstimo, mas os clubes só querem vender, e sempre acima de um milhão de dólares”, explicou o diretor.
E Papellin foi além ao explicar o dilema financeiro: “Um clube do tamanho do Vitória arriscar em um jogador sem testar antes de comprar é complicado, muito arriscado. Poderia ser empréstimo com opção de compra para você conhecer o jogador”.
É o velho drama do futebol: o jogador pode ser exatamente aquilo que o clube procura, mas o preço transforma o sonho em um abismo. Comprar é apostar. Emprestar com opção de compra é primeiro conhecer, depois decidir. Para um clube que precisa administrar recursos com cuidado, cada milhão de dólares tem o peso de uma temporada inteira.
A negociação que não aconteceu com Saulo Mineiro
Entre as tentativas que ficaram pelo caminho está a de Saulo Mineiro. O atacante ficou livre no mercado depois de rescindir contrato com o Shanghai Shenhua, da China, e acabou acertando seu retorno ao Ceará.
O nome interessava ao Vitória. Mais do que o nome, interessava o perfil. Papellin revelou que o atacante reunia características desejadas pela comissão técnica para a sequência da temporada.
“Está difícil. Eu tentei trazer um atacante, tentei trazer o Saulo Mineiro. Tem um perfil que eu queria muito aqui, a comissão também. Tem um perfil de força, de arrasto”, contou.
Mas havia uma história anterior entre Saulo Mineiro e Ceará. O atacante, que havia rescindido com o clube chinês, decidiu voltar ao futebol cearense por gratidão.
Segundo Papellin, Saulo explicou que retornaria ao Ceará porque o clube havia sido correto com ele durante um momento delicado de sua vida, quando enfrentou um problema cardíaco. O sentimento de gratidão falou mais alto.
“Ele rescindiu contrato na China agora, mas me disse que vai voltar ao Ceará por gratidão ao pessoal de lá, que foi muito correto com ele quando ele teve um problema de coração. Ele tem uma gratidão muito grande ao Ceará”, relatou o dirigente.
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| Saulo Mineiro com a camisa do Shanghai Shenhua, da China — Foto: Shanghai Shenhua |
O relógio da janela e o obstáculo do transfer ban
O Vitória tem até sexta-feira para registrar novos jogadores. O relógio, portanto, já não é um detalhe. É personagem da história. Cada hora que passa reduz o espaço para negociar, analisar documentos, chegar a um acordo e concluir os registros.
Antes disso, porém, existe outra questão que o clube precisa resolver: o transfer ban sofrido por causa de uma dívida relacionada à compra de Fabri junto ao Levante, da Espanha. Enquanto essa pendência não for solucionada, o caminho para registrar novos reforços permanece comprometido.
É uma corrida de obstáculos. De um lado, o departamento de futebol procura jogadores. Do outro, há valores, negativas, concorrência e uma punição que precisa ser resolvida. E no meio de tudo está o Vitória, tentando montar um elenco capaz de atravessar a reta final do Brasileirão.
Os reforços que já chegaram
Até o momento, o Vitória já anunciou quatro reforços nesta segunda janela de transferências. O zagueiro Brítez, o lateral-direito Fabiano Souza e os meio-campistas Walace e Pochettino foram incorporados ao elenco.
Agora, o Vitória tenta descobrir se ainda haverá espaço para mais um nome antes que a janela bata a porta. Não se trata simplesmente de contratar. Trata-se de encontrar a peça certa no momento em que o campeonato entra em sua fase mais delicada.
A vitória sobre o Grêmio trouxe alívio ao Barradão e devolveu alguma tranquilidade ao trabalho de Jair Ventura. Mas o futebol não costuma permitir descanso prolongado. A vitória encerrou uma sequência de quatro derrotas consecutivas, colocou o Vitória na 11ª posição do Campeonato Brasileiro, com 32 pontos, e abriu uma semana de respiro antes do confronto com o Mirassol.
Agora Papellin corre contra o calendário. O Vitória corre contra o mercado. E o clube sabe que, nessa altura da temporada, errar uma contratação pode custar caro. O torcedor quer nomes, a imprensa quer respostas e o campeonato quer jogadores preparados para a batalha.
Até sexta-feira, às 19h, a história ainda estará aberta. Pode chegar um reforço. Pode surgir outra negativa. Pode aparecer uma oportunidade inesperada. No futebol, como ensinaria a própria vida, há momentos em que o destino parece estar decidido — e, justamente quando todos pensam que a cortina caiu, alguém ainda entra em cena.
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