Com Ramon ainda em recuperação e Jamerson dependendo de uma multa contratual de R$ 1 milhão, Jair Ventura estuda promover o jovem Wanderson ou improvisar um jogador no setor para enfrentar o Coritiba.
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| Wanderson, lateral-esquerdo do Vitória — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória |
Vitória em Destaque | Brasileirão 2026 | Preparação para a 33ª rodada
O Vitória se aproxima de mais uma decisão no Campeonato Brasileiro com uma pergunta incômoda na lateral esquerda: quem vai jogar? A lesão de Ramon, a situação contratual de Jamerson e a necessidade de enfrentar o Coritiba fora de casa colocam Jair Ventura diante de um problema que não admite improvisações de última hora sem consequências. A solução pode estar na experiência de um jogador adaptado à posição ou na juventude de um atleta formado na base.
O duelo está previsto para este sábado (31), no Couto Pereira, em Curitiba, pela 33ª rodada da Série A. Em um campeonato no qual cada ponto pesa na luta pela permanência, a definição da lateral esquerda deixou de ser apenas uma escolha de escalação. É uma decisão que envolve condição física, planejamento, contrato e confiança.
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Ler notíciaRamon, titular da posição durante a temporada, está em recuperação de uma lesão muscular na coxa desde o início de setembro. Jamerson assumiu a vaga e ganhou sequência, mas pertence ao Coritiba e está emprestado ao Vitória. Para utilizá-lo justamente contra o clube paranaense, o Rubro-Negro precisa avaliar o pagamento de uma multa contratual de R$ 1 milhão.
Jamerson: a solução em campo tem um preço
A ausência de Ramon abriu espaço para Jamerson, que vinha acumulando partidas como titular depois de enfrentar uma grave lesão em julho de 2025. O lateral conseguiu recuperar espaço e se tornou uma alternativa importante para a comissão técnica. Agora, porém, a questão esportiva esbarra em uma cláusula contratual.
O Vitória precisa decidir se vale a pena pagar a multa para contar com o jogador no confronto direto contra o Coritiba. Não se trata apenas de escolher um nome para preencher a escalação: a diretoria terá de considerar o custo da operação e a importância do atleta para uma partida de grande peso na tabela.
Após o empate contra o Athletico-PR, Jair Ventura explicou que ainda não havia tratado do assunto com o presidente Fábio Mota. O treinador deixou claro que a definição será construída internamente, com a busca pela estratégia mais adequada para tentar conquistar pontos fora de casa.
“As situações contratuais eu ainda não falei com Fábio. Vamos buscar a melhor estratégia para tentar essa vitória fora.” Jair Ventura, técnico do Vitória
A declaração mantém a decisão em aberto. Até que a diretoria se manifeste, não há confirmação de que Jamerson será utilizado nem de que o clube pagará a multa prevista no contrato.
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Wanderson, a alternativa que vem da base
Caso Ramon não reúna condições de jogar e Jamerson fique fora, uma das possibilidades é Wanderson, lateral-esquerdo de apenas 18 anos formado na base rubro-negra. O jovem já foi relacionado para algumas partidas, mas teve poucas oportunidades com Jair Ventura.
Wanderson entrou em campo uma vez sob o comando do treinador, como titular diante do Piauí, em abril, pela fase de grupos da Copa do Nordeste. Agora, a reta decisiva do Brasileirão pode abrir uma porta muito maior para o jogador: a chance de disputar uma partida importante em um cenário de pressão.
Apostar em um atleta jovem exige coragem, mas também avaliação criteriosa. Uma estreia em momento delicado pode representar uma oportunidade de crescimento; ao mesmo tempo, coloca sobre o jogador uma responsabilidade que precisa ser acompanhada pelo restante da equipe. A decisão dependerá da avaliação da comissão técnica e das opções disponíveis.
A base ainda tem pouco espaço no Brasileirão
O possível uso de Wanderson também chama atenção para a participação dos jogadores formados no clube ao longo da Série A. Segundo os dados apresentados pelo ge, quatro atletas de linha da base foram utilizados pelo Vitória nas primeiras 32 rodadas do campeonato: Edenilson, Zé Breno, Lawan e, agora, a possibilidade de maior participação de Wanderson.
Lucas Arcanjo aparece com frequência nas escalações, mas a presença de jogadores formados na Fábrica de Talentos entre os atletas de linha tem sido reduzida. O último titular de linha oriundo da base citado no levantamento foi Edenilson, na partida contra o Bragantino, em 17 de maio, pela 16ª rodada. Na ocasião, o Vitória perdeu por 2 a 0, em Bragança Paulista.
| Jogador | Posição | Jogos | Como titular |
|---|---|---|---|
| Lucas Arcanjo | Goleiro | 28 | 28 |
| Edenilson | Zagueiro / lateral | 7 | 4 |
| Zé Breno | Meio-campista | 2 | 0 |
| Lawan | Atacante | 1 | 0 |
Os números reforçam que a utilização da base ainda não é uma característica frequente na equipe principal. A eventual entrada de Wanderson seria, portanto, não apenas uma resposta a um problema imediato, mas também uma oportunidade de avaliar um jovem em uma das competições mais exigentes do calendário nacional.
Improvisação: outra saída para Jair Ventura
Se não optar por Wanderson, Jair Ventura poderá adaptar um jogador de outra posição. O treinador já recorreu a diferentes soluções na lateral direita ao longo da temporada, utilizando atletas como Brítez, Edenilson, Jamerson, Caíque Gonçalves e Erick em funções distintas, inclusive em sistemas com três zagueiros.
A lateral esquerda, entretanto, apresenta uma particularidade: a improvisação nesse lado ainda seria uma alternativa inédita para a equipe sob o comando do treinador. Entre as possibilidades estão Diego Tarzia e Matheuzinho, jogadores que poderiam atuar mais abertos, dependendo do desenho tático escolhido.
Erick já exerceu a função de ala em partidas do Campeonato Brasileiro de 2025, o que pode servir de referência para uma adaptação semelhante. Matheuzinho também conhece a função de ala desde sua chegada ao Vitória, durante a campanha da Série B de 2023.
A escolha dependerá do equilíbrio que Jair Ventura pretende dar à equipe. Um jogador mais ofensivo pode oferecer velocidade e apoio ao ataque, mas também exigir cobertura dos companheiros. Um atleta de perfil defensivo, por outro lado, pode reforçar a proteção do setor, embora limite as chegadas ao campo adversário.
Brítez também pode ser opção
Outra alternativa mencionada é o argentino Brítez, zagueiro que já declarou ter experiência em diferentes funções defensivas, inclusive como lateral-esquerdo. O jogador se colocou à disposição para cumprir as determinações da comissão técnica, embora tenha ressaltado que sua característica principal é defensiva.
“Hoje eu sou muito defensivo, fecho a linha de quatro se tiver que jogar pela lateral direita. Não é minha característica chegar muito ao ataque. Se o treinador pedir, eu faço, mas não é minha característica. Não vou fazer o tempo inteiro. Faço linha de três, linha de quatro, de cinco, jogo de lateral-esquerdo... Eu vou deixar tudo e dar meu melhor onde o professor me colocar.” Brítez, jogador do Vitória
A disposição do atleta amplia as possibilidades, mas a decisão não se resume a encontrar alguém que possa ocupar o espaço. Será necessário escolher uma formação capaz de proteger a defesa e, ao mesmo tempo, oferecer saída pelo lado esquerdo diante de um adversário que também precisa pontuar.
A definição só vem antes da partida
A escalação oficial do Vitória está prevista para ser divulgada cerca de uma hora antes do confronto, marcado para as 16h, no Couto Pereira. Até lá, a situação de Jamerson, a recuperação de Ramon e a possibilidade de utilizar Wanderson ou improvisar outro jogador continuarão no centro das atenções.
O problema da lateral esquerda resume parte dos desafios do Vitória nesta reta final: administrar ausências, tomar decisões contratuais e encontrar soluções dentro de um elenco pressionado pela necessidade de somar pontos. Cada escolha pode alterar o funcionamento da equipe, especialmente em uma partida fora de casa.
O Leão não precisa apenas de um nome para ocupar a faixa esquerda. Precisa de uma solução que funcione durante os 90 minutos. Se será a experiência de Jamerson, a juventude de Wanderson ou a adaptação de outro jogador, Jair Ventura ainda terá de decidir.
No futebol, às vezes o destino de uma partida começa longe da bola, numa reunião entre treinador e diretoria, numa avaliação médica ou numa cláusula contratual. O Vitória chega a Curitiba com essa incógnita. E, quando a bola rolar, a resposta terá de aparecer no campo.
Serviço do jogo
Partida: Coritiba x Vitória
Competição: Campeonato Brasileiro — Série A, 33ª rodada
Data: sábado, 31 de outubro de 2026
Horário: 16h, horário de Brasília
Estádio: Couto Pereira, Curitiba (PR)
Principal dúvida: definição da lateral esquerda entre Jamerson, Wanderson e possíveis improvisações.


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