Sem vencer como visitante, Rubro-Negro aposta no Barradão para escapar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro
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| Renê e Matheuzinho comemoram gol do Vitória contra o Gr — Foto: Márcio José/AGIF |
O Vitória vive uma campanha de contrastes no Campeonato Brasileiro. Em Salvador, o Leão encontrou força, resultados e um Barradão capaz de sustentar a luta pela permanência. Longe dele, porém, a história muda de tom. O Rubro-Negro ainda não venceu como visitante e tem a segunda pior campanha fora de casa. A pergunta, então, deixa de ser apenas futebolística e vira matemática: até onde a força do mando pode carregar o Vitória?
O Vitória em Destaque fez as contas. E elas mostram que o Barradão, neste momento, não é apenas uma casa. É uma das principais armas do clube para escapar do rebaixamento.
Vitória mira 45 pontos para garantir permanência na Série A
Rubro-Negro estabelece nova meta no Campeonato Brasileiro e busca alcançar a pontuação necessária para permanecer na elite.
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Ler notícia →A resposta para a pergunta é sim. Se vencer os seis jogos restantes como mandante, o Vitória chegará aos 51 pontos e garantirá a permanência na Série A. No campeonato do ano passado, uma campanha desse tamanho teria sido suficiente para terminar na oitava colocação e conquistar uma vaga na Copa Sul-Americana.
Mas existe uma conta menos exigente. O Vitória não precisa necessariamente vencer todos os compromissos no Barradão para construir uma pontuação considerada segura. Se mantiver o atual aproveitamento de aproximadamente 71,8% em casa e, ao mesmo tempo, não conquistar mais nenhum ponto como visitante, o time chegaria aos 46 pontos.
E 46 pontos não são um número qualquer. Essa marca foi suficiente para evitar o rebaixamento em todas as edições do Campeonato Brasileiro de pontos corridos com 20 clubes disputadas até aqui.
UFMG aponta 49 pontos para zerar o risco
A matemática também aparece nas projeções do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo o levantamento, neste momento, uma equipe que alcançar 49 pontos elimina qualquer risco de rebaixamento.
O risco de queda varia conforme a pontuação:
- 49 pontos — 0%;
- 48 pontos — 0,003%;
- 47 pontos — 0,036%;
- 46 pontos — 0,311%;
- 45 pontos — 1,786%;
- 44 pontos — 6,973%;
- 43 pontos — 19,255%;
- 42 pontos — 39,309%;
- 41 pontos — 62,385%;
- 40 pontos — 81,565%;
- 39 pontos — 93,338%;
- 38 pontos — 98,746%;
- 37 pontos — 100%.
A matemática, portanto, apresenta uma espécie de mapa para o Vitória. Quanto mais o time se aproxima da faixa dos 45 aos 49 pontos, menor fica o risco. E é justamente no Barradão que o Rubro-Negro encontrou até aqui o caminho mais seguro para construir essa pontuação.
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Fábio Mota aposta nos jogos em casa
A leitura do presidente Fábio Mota segue a mesma direção. Em entrevista coletiva no dia 4 deste mês, ele afirmou que o clube precisa concentrar esforços nos jogos dentro de casa e lembrou que o Vitória depende apenas dos próprios resultados.
“É uma conta simples que temos que fazer. Precisamos ganhar cinco dos sete jogos dentro de casa, depois é pensar em outras coisas. Precisamos fazer nossa parte dentro de casa. Está todo mundo chateado, mas temos que lembrar que somos 13º no Brasileiro, que temos sete partidas em casa e que só dependemos da gente.”
A declaração revela a dimensão que os jogos em Salvador ganharam para o clube. Não existe mais espaço para tratar o Barradão apenas como vantagem. Na luta contra a parte de baixo da tabela, ele virou parte da estratégia.
O contraste que explica a campanha
Os números explicam por que existe confiança na força do mando. Mesmo sem vencer fora de casa nesta Série A, a redação calcula em apenas 8,05% as chances de rebaixamento do Vitória.
A campanha do Rubro-Negro na competição pode ser dividida em dois mundos:
- Mandante: nove vitórias, um empate e três derrotas, com 71,7% de aproveitamento;
- Visitante: cinco empates e nove derrotas, com 11,9% de aproveitamento.
O Vitória conquistou somente cinco pontos longe de casa, número que o deixa à frente apenas do Grêmio entre os clubes da competição. Assim como o Rubro-Negro, o time gaúcho também ainda não venceu como visitante.
O empate que escapou das mãos
O Vitória esteve muito perto de acabar com esse jejum no último domingo. Contra o Mirassol, o time abriu 2 a 0 com apenas 12 minutos de jogo. Era a vantagem que o torcedor esperava, a oportunidade de finalmente transformar uma atuação fora de casa em vitória.
Só que o futebol não respeita contas feitas antes do apito final. O Mirassol reagiu e conseguiu buscar o empate aos 45 minutos do segundo tempo. O Vitória voltou para Salvador com um ponto, mas também com a sensação de que a primeira vitória como visitante havia escapado quando já estava ao alcance das mãos.
O problema vem desde 2025
A dificuldade do Vitória longe do Barradão não nasceu nesta temporada. No ano passado, a equipe também demorou a conquistar a primeira vitória como visitante. A vitória só apareceu na 29ª rodada, e o campeonato terminou com apenas duas vitórias fora de Salvador.
Em 2026, a história se repete em uma versão ainda mais cruel: nove derrotas e cinco empates depois, a vitória continua esperando do lado de fora.
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Barradão é o trunfo do Leão
Se fora de casa o Vitória sofre, em Salvador o cenário é completamente diferente. O Rubro-Negro é o quarto melhor mandante do Campeonato Brasileiro, com 28 pontos conquistados em 39 possíveis.
São nove vitórias, um empate e três derrotas. O aproveitamento de 71,7% só é inferior aos de Fluminense, Flamengo e Palmeiras.
É esse desempenho que permite ao Vitória olhar para a reta final do campeonato sem depender exclusivamente de uma reação como visitante. A conta está aberta. O Barradão oferece o caminho. Mas cada partida em Salvador passa a carregar uma responsabilidade maior.
Cruzeiro é o próximo capítulo
E o próximo teste dessa força já está marcado. O Vitória volta ao Barradão neste domingo para enfrentar o Cruzeiro, a partir das 16h (de Brasília), pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O jogo chega em um momento em que a matemática deixou de ser apenas estatística e passou a fazer parte da rotina rubro-negra. O Vitória sabe quantos pontos precisa. Sabe onde tem sido mais forte. Sabe também onde a campanha cobra uma dívida.
Agora resta ao Leão transformar números em resultados. Porque, no futebol, a calculadora pode apontar o caminho. Quem decide se ele será percorrido é a bola.


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