O Vitória voltou aos treinos nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, e iniciou a preparação para o próximo compromisso do Campeonato Brasileiro. Mas não se trata de uma semana qualquer. O Rubro-Negro retorna ao trabalho carregando nas costas o peso de quatro derrotas consecutivas, a eliminação da Copa do Brasil e uma queda de rendimento que transformou o segundo semestre em uma espécie de teste de resistência para jogadores, comissão técnica e torcida.
Há momentos no futebol em que uma derrota é apenas uma derrota. E há outros em que ela parece abrir uma porta atrás da qual existe outra derrota, e depois outra, e mais outra. O Vitória chegou exatamente a esse lugar. O time olha para trás e encontra o Vasco. Olha para a frente e encontra o Campeonato Brasileiro. E, entre uma coisa e outra, existe a obrigação de reagir.
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Ler notícia →A eliminação nas quartas de final da Copa do Brasil escancarou as dificuldades do Vitória no segundo semestre. A queda de rendimento dentro de campo não é apenas uma impressão da arquibancada. Os números contam a mesma história, com a frieza que os números costumam ter.
O Rubro-Negro perdeu quatro partidas consecutivas, sequência que não havia acontecido neste ano e que não se repetia desde o fim do primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2024.
- Vitória 0 x 2 Bahia — Campeonato Brasileiro;
- Vasco 1 x 0 Vitória — Copa do Brasil;
- Atlético-MG 2 x 1 Vitória — Campeonato Brasileiro;
- Vitória 0 x 2 Vasco — Copa do Brasil.
Foram duas derrotas para o Vasco pela Copa do Brasil e outras duas pelo Campeonato Brasileiro, contra Atlético-MG e Bahia. É uma sequência que dói especialmente porque o Barradão, durante boa parte da temporada, foi apresentado como o território onde o Vitória encontrava forças para sobreviver.
Só que até o Barradão parece ter perdido um pouco daquela antiga solenidade. O Vitória perdeu os dois últimos jogos que disputou diante de sua torcida. E quando a fortaleza deixa de ser fortaleza, o adversário passa a entrar em campo com menos medo.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
Jair Ventura reconheceu a dimensão da sequência negativa depois da eliminação para o Vasco. O treinador afirmou que quatro derrotas são algo muito ruim, reconheceu a dor da torcida e garantiu disposição para continuar no cargo enquanto contar com o respaldo do presidente.
“Quatro derrotas é muito ruim, não tinha acontecido. A dor da torcida é nossa dor. Enquanto o presidente achar que devo continuar, vou continuar. Meus trabalhos são pautados em recuperações. Se a gente permanecer, a gente dá uma resposta.”
E talvez esteja aí o ponto central desta história: recuperação. Porque o Vitória não precisa apenas vencer uma partida. Precisa recuperar confiança, futebol, poder ofensivo e, sobretudo, a sensação de que ainda existe um caminho seguro pela frente.
O abismo entre os dois semestres
A diferença entre o Vitória do primeiro e do segundo semestre é brutal. Desde a volta da Copa do Mundo, o Rubro-Negro disputou 12 partidas e acumulou oito derrotas, três vitórias e um empate. O aproveitamento despencou para 27,7%.
Antes da intertemporada, sob o comando de Jair Ventura, o cenário era completamente diferente. Em 35 compromissos, foram 18 vitórias, 11 derrotas e seis empates, com aproveitamento de 57,1% dos pontos.
- Segundo semestre: 27,7% de aproveitamento;
- Primeiro semestre: 57,1% de aproveitamento;
- Segundo semestre: 8 derrotas, 3 vitórias e 1 empate em 12 jogos;
- Primeiro semestre: 18 vitórias, 11 derrotas e 6 empates em 35 jogos.
É uma diferença grande demais para ser tratada como mero acaso. O Vitória mudou de comportamento, perdeu regularidade e passou a conviver com problemas que se tornaram cada vez mais visíveis.
CLASSIFICAÇÃO DO BRASILEIRÃO
O segundo semestre conservou velhos defeitos, como o baixo rendimento fora de casa, mas acrescentou novas preocupações. Entre elas está a fase ruim dos atacantes e a dificuldade quase desesperadora para colocar a bola dentro da rede.
O gol virou artigo de luxo
Em oito dos 12 jogos disputados desde o retorno da Copa do Mundo, o Vitória não conseguiu marcar. Na Série A, o Rubro-Negro ostenta uma marca que ninguém gostaria de carregar: é o dono do pior ataque da competição.
E o problema ofensivo não aparece apenas no placar. Ele aparece antes do placar. Aparece na quantidade de oportunidades criadas, nas finalizações, na dificuldade para incomodar o goleiro adversário.
Jair Ventura admitiu isso depois da eliminação para o Vasco. O treinador chamou atenção para as poucas finalizações do time e reconheceu que sete arremates eram insuficientes para uma equipe que precisava vencer.
“Tivemos poucas finalizações, acho que sete. Precisamos reverter isso o quanto antes. Sete finalizações é muito pouco, temos que rever esses pontos. Não só a derrota. Marca negativa que precisamos corrigir.”
O futebol tem dessas ironias cruéis. O torcedor pode aceitar uma derrota quando enxerga luta, chances e coragem. O que começa a assustar é quando o time parece incapaz até de produzir o próprio perigo.
O Vitória precisa voltar a finalizar, voltar a marcar e, antes de tudo, voltar a acreditar que pode marcar. Porque uma equipe que entra em campo carregando o medo do gol que não sai já começa a partida em desvantagem.
A preocupação com o Campeonato Brasileiro
A eliminação na Copa do Brasil encerrou um dos caminhos possíveis para a temporada. Restou ao Vitória concentrar todas as forças no Campeonato Brasileiro.
E é justamente aí que mora outra preocupação. O Rubro-Negro se aproximou novamente da zona de rebaixamento. Embora apareça na 13ª posição, com quatro pontos de vantagem para o primeiro integrante do Z-4, a situação exige atenção.
O Vitória abre a 26ª rodada com uma partida a mais que Santos, Grêmio e Vasco, adversários diretos na parte inferior da tabela. Não existe, portanto, espaço para relaxamento.
No futebol brasileiro, quatro pontos podem parecer uma distância razoável pela manhã e desaparecer completamente à noite. É uma das crueldades da tabela: ela não espera ninguém.
Por isso, o retorno aos treinos nesta segunda-feira, 31 de agosto, ganhou importância especial. A preparação começou com a necessidade de reconstruir um time ferido, corrigir os erros que ficaram expostos contra o Vasco e preparar uma resposta para o campeonato.
Jair Ventura recebe respaldo
Mesmo diante da sequência de derrotas e da eliminação na Copa do Brasil, Jair Ventura continua respaldado pela direção do Vitória.
O presidente Fábio Mota convocou uma entrevista coletiva e defendeu a continuidade do trabalho do treinador. Segundo o dirigente, a equipe também tem sofrido com uma série de problemas físicos. Atualmente, sete jogadores estão em recuperação de lesões.
As lesões ajudam a explicar parte das dificuldades, mas não explicam tudo. Futebol não é uma equação em que basta retirar os jogadores machucados para encontrar a resposta. Há problemas de desempenho, confiança, criação e eficiência que precisam ser resolvidos dentro do campo.
Sérgio Papellin também defendeu o trabalho da comissão técnica e demonstrou confiança na continuidade do projeto comandado por Jair Ventura.
A mensagem da diretoria, portanto, é clara: não há ruptura. Há cobrança, preocupação e, ao mesmo tempo, confiança na capacidade de reação.
A semana que pode mudar o tom da temporada
Com a Copa do Brasil definitivamente encerrada, o Vitória passa a olhar exclusivamente para o Campeonato Brasileiro. E o calendário oferece uma oportunidade imediata de resposta.
O próximo adversário é o Grêmio, no Barradão, em partida marcada para as 20h, no horário de Brasília, pelo encerramento da 26ª rodada.
Não será apenas mais um jogo. Será o primeiro capítulo de uma tentativa de reconstrução.
O Vitória volta aos treinos depois de quatro derrotas consecutivas. Volta depois de uma eliminação dolorosa. Volta sabendo que seu ataque é o pior da Série A. Volta sabendo que marcou pouco e finalizou menos do que deveria. Volta sabendo que sete jogadores estão no departamento médico.
Mas volta também com uma possibilidade que o futebol nunca abandona completamente: a possibilidade de recomeçar.
É aí que está a beleza e a crueldade do futebol. O passado pesa, mas a bola seguinte não conhece o passado.
A torcida rubro-negra já sabe que o segundo semestre não entregou aquilo que o primeiro prometeu. Sabe que a distância entre 57,1% e 27,7% de aproveitamento não é uma simples estatística. É a medida exata de uma queda.
Agora, enquanto os jogadores retomam os trabalhos e Jair Ventura tenta reorganizar a equipe, o Vitória terá de provar que ainda existe vida depois da sequência de derrotas.
Porque no futebol, como na vida, há derrotas que terminam uma história. E há derrotas que obrigam o homem a decidir se vai continuar de pé. O Vitória está diante dessa escolha. O Campeonato Brasileiro continua. E, no Barradão, contra o Grêmio, começa a resposta.




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