Existe uma estranha ironia escondida no futebol. O estádio continua de pé, a torcida continua cantando e o gramado permanece verde. Mas os homens mudam, os protagonistas envelhecem e as histórias reaparecem quando ninguém espera.
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➜ Fabiano é regularizado e reforça o Vitória ➜ Atacante deixa de ser promessa e bate marca importante ➜ Vitória fortalece o elenco e mira duelo decisivo no BrasileirãoFoi exatamente no Nilton Santos que o Vitória viveu sua última vitória sobre o Botafogo. Naquele distante 1º de outubro de 2017, parecia que tudo conspirava contra o clube baiano. David abriu o placar, Brenner respondeu com dois gols para os cariocas e a derrota parecia inevitável. O relógio avançava como um carrasco impiedoso.
Então o futebol resolveu contrariar a lógica. André Lima empatou aos 45 minutos do segundo tempo. Quando todos já aceitavam o empate, Danilinho surgiu aos 50 minutos para decretar uma virada inesquecível por 3 a 2. Era o tipo de roteiro que faz do futebol um espetáculo capaz de desafiar qualquer previsão.
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Aquela equipe comandada por Vágner Mancini entrou em campo com Caíque; Patric, Wallace, Ramon e Geferson; Fillipe Soutto, Uillian Correia e Yago Felipe; David, Neilton e Santiago Tréllez. Os gols decisivos vieram justamente do banco de reservas, mostrando que algumas partidas são vencidas também pela coragem de quem decide mudar o destino.
Há, porém, um detalhe que torna essa história ainda mais curiosa. No banco adversário estava Jair Ventura. O treinador que hoje tenta conduzir o Vitória para um novo capítulo era justamente o comandante do Botafogo naquela noite em que viu sua equipe ser derrotada nos últimos instantes.
Desde então, o tempo não foi generoso com o Rubro-Negro. Foram dez confrontos contra os cariocas, com cinco empates e cinco derrotas. Um retrospecto que transformou o Botafogo em um adversário indigesto e alimentou um jejum que atravessou temporadas, mudanças de elenco e diferentes treinadores.
Apesar dessa sequência negativa recente, o histórico geral entre os clubes continua marcado pelo equilíbrio. Em 51 confrontos oficiais, cada equipe venceu 17 vezes, enquanto outras 17 partidas terminaram empatadas. Os números mostram que nenhuma rivalidade é construída apenas pelo presente; ela também vive das lembranças acumuladas ao longo dos anos.
O contraste entre 2017 e 2026 chama a atenção. Naquela campanha, o Vitória era um visitante temido. A vitória sobre o Botafogo representou a quinta vitória consecutiva longe de Salvador, sequência construída diante de Flamengo, Corinthians, Coritiba, Atlético-MG e do próprio clube carioca. Ao fim daquela edição do Brasileirão, o Leão terminou como o segundo melhor visitante da competição.
Hoje, o cenário é outro. O time chega ao Rio tentando conquistar a primeira vitória fora de casa nesta Série A. Em nove partidas como visitante, somou apenas três pontos e ocupa uma das últimas posições nesse fundamento. O desafio, portanto, vai além de vencer um adversário tradicional. Trata-se de recuperar uma confiança perdida nas estradas do Campeonato Brasileiro.
Jair Ventura conhece o peso desse compromisso. Mais do que enfrentar o clube onde viveu momentos importantes da carreira, ele terá diante de si a oportunidade de inverter uma narrativa que parece perseguir o Vitória há quase uma década. O treinador sabe que estatísticas não entram em campo, mas também conhece a força simbólica de quebrar tabus.
Nesta quinta-feira, quando a bola rolar no Nilton Santos, o relógio voltará a marcar o tempo de um reencontro com a própria memória. O passado não fará gols. A vitória de 2017 não valerá pontos. Mas servirá como lembrança de que, no futebol, os jejuns existem para serem interrompidos e as histórias, por mais antigas que pareçam, sempre podem ganhar um novo capítulo.
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