Presidente reage à denúncia e dispara: “Estou na Coreia do Norte?”
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| Fábio Mota, Jair Ventura e Erick em julgamento — Foto: STJD / Reprodução |
O futebol brasileiro começa a se parecer, perigosamente, com o Congresso Nacional: um espaço onde os erros são conhecidos, os responsáveis seguem intocados e, não raro, pune-se quem ousa denunciar. No campo, o roteiro se repete — erra-se no apito, silencia-se o escândalo e castiga-se a indignação. Eis a inversão moral do esporte: o pecado já não é o erro, mas a coragem de expô-lo.
Foi nesse cenário quase kafkiano — ou, diria Nelson Rodrigues, profundamente humano — que a 3ª Comissão Disciplinar do STJD absolveu Jair Ventura, mas puniu Erick e o presidente Fábio Mota por críticas à arbitragem do jogo entre Athletico-PR e Vitória.
O veredito tem gosto de ironia: o técnico escapa, mas a indignação — essa entidade invisível — é condenada em forma de suspensão. Erick pega dois jogos. Fábio Mota, 30 dias. A verdade? Essa segue sem punição, vagando pelos corredores do futebol como um fantasma sem tribunal.
O trio havia reclamado de um pênalti marcado e da não expulsão de dois jogadores do Athletico. Lances que, como toda polêmica brasileira, dividem opiniões — mas, curiosamente, unem indignações.
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Erick, personagem trágico da vez, confessou seu excesso: disse que o Vitória foi “roubado de novo”. Depois, voltou atrás. Pediu desculpas. Tentou domesticar o próprio desespero. Mas no futebol — como na vida — há palavras que, uma vez ditas, já não pertencem a quem as disse.
Jair Ventura, por sua vez, recorreu ao mais brasileiro dos diagnósticos: “vai acabar em pizza”. E explicou. Disse que os erros foram reconhecidos — veja só, reconhecidos! — mas sem qualquer consequência. Ora, reconhecer o erro e não corrigi-lo é quase uma forma elegante de mantê-lo.
Fábio Mota foi além. Chamou de “escândalo”. Questionou critérios. Denunciou a falta de uniformidade. E, num momento que mistura desabafo e metáfora política, perguntou: “Estou na Coreia do Norte?”.
Não era apenas retórica. Era o grito de quem vê o jogo decidido não pela bola, mas pelo apito — esse juiz invisível que, às vezes, parece mais humano do que deveria.
O Vitória, como instituição, formalizou sua revolta e enviou representação à CBF. Quatro lances foram questionados. Quatro episódios que, juntos, compõem uma narrativa maior: a sensação de que o futebol brasileiro não erra por acaso — erra por sistema.
E aqui reside o maior dos paradoxos: o erro técnico não é punido com a mesma severidade que o erro verbal. Falar dói mais que errar. Reclamar pesa mais que prejudicar.
No fim, Erick cumpre suspensão. Fábio Mota cumpre gancho. Jair segue absolvido. E o futebol… o futebol segue seu curso torto, como um romance mal resolvido.
Porque, no Brasil, o jogo acaba — mas a polêmica nunca apita o fim.
Entenda os lances contestados:
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