Com um a menos desde os 15 minutos, Rubro-Negro empata por 1 a 1 no tempo normal e vence o Jacuipense por 4 a 2 nas penalidades, garantindo vaga na final do Campeonato Baiano.
Por Redação Vitória em Destaque — Salvador | 1º de março de 2026
SALVADOR — O futebol, quando quer, é cruel. E quando decide ser dramático, vira literatura. O Vitória viveu as duas coisas na tarde deste domingo, no Barradão. Abriu o placar aos dois minutos, perdeu um homem aos 15, foi empurrado contra a própria área e, no fim, precisou da loteria dos pênaltis para continuar respirando. Venceu o Jacuipense por 4 a 2 nas cobranças, após empate por 1 a 1, e avançou à final do Campeonato Baiano.
O Barradão não era apenas um estádio. Era um organismo vivo. Pulsava, tremia, sofria. E o Vitória começou como quem escreve um bilhete de amor apressado: logo aos dois minutos, Renato Kayzer aproveitou a sobra após tentativa frustrada de Matheuzinho e empurrou para as redes. Gol cedo é promessa de tranquilidade. Mas o futebol não reconhece promessas.
Aos 15 minutos, Caíque Gonçalves disputou bola com Pedro Henrique. O árbitro foi ao VAR. O silêncio no estádio tinha peso de tragédia grega. Cartão vermelho. O Vitória ficava com dez homens e um destino incerto.
Com superioridade numérica, o Jacuipense cresceu. Hugo Moura acertou o travessão em chute de fora da área, desviado por Lucas Arcanjo. Thiago quase marcou de cabeça. O Leão do Sisal rondava como quem sente o cheiro do medo. O Vitória, acuado, fechava espaços com a dignidade de quem sabe que a queda pode ser fatal.
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O empate e o medo
No segundo tempo, o Rubro-Negro ainda tentou reagir com marcação alta. Kayzer deixou Ramon cara a cara com Marcelo, que salvou. Mas o futebol cobra seu preço. Aos 20 minutos, Alison Daniel cruzou da direita e Pedro Henrique, livre, cabeceou para empatar.
O jogo, então, ficou feio. Feio como toda partida que tem medo como protagonista. Cruzamentos sem endereço, passes apressados, pernas pesadas. O empate persistiu até o apito final. E o destino foi decidido na marca da cal.
A redenção na marca da cal
Penalidades são um teste de caráter. Renato Kayzer abriu com força brutal. Thiaguinho respondeu. Lucas Arcanjo, até então discreto, vestiu a capa de herói: defendeu a cobrança de Alison Daniel com o pé, no meio do gol. Depois, pegou o chute de Flavinho no canto direito.
Osvaldo marcou. Cantalapiedra marcou. Vicente Reis manteve o Jacuipense vivo. Até que Marinho caminhou para a bola com o peso do estádio nas costas. Bateu firme. Gol. Classificação.
Vitória 4, Jacuipense 2. O Barradão explodiu. Não era apenas festa. Era alívio. Era sobrevivência.
Os números do drama
Posse de bola: Vitória 40% | Jacuipense 60%
Finalizações: 8 a 21 para o Jacuipense
Defesas de Lucas Arcanjo: 13
Cartões: 2 amarelos e 1 vermelho (Vitória)
O Jacuipense foi superior em volume. O Vitória foi superior em resistência. No futebol, às vezes, isso basta.
Fotografias: Vitória em Destaque / EC Vitória
Estádio: Barradão, Salvador
Semifinal do Campeonato Baiano — Jogo único
Árbitro: Wagner Francisco Silva Souza


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