Goleado pelo Palmeiras, Rubro-Negro sofre com a própria fragilidade, escuta o mea-culpa de Jair Ventura e vislumbra no gol solitário de Dudu a promessa de um recomeço.
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| Jair Ventura em Palmeiras x Vitória — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória |
O Vitória viveu, na Arena Barueri, uma daquelas noites que o futebol escreve com tinta cruel. Diante de um Palmeiras impiedoso, o Leão foi derrotado por 5 a 1, no placar mais elástico da história do confronto pelo Campeonato Brasileiro. Ainda assim, em meio ao desastre, surgiu um nome que pediu passagem — e não pediu em vão.
O início foi fatal. Dois gols em sequência, ambos em bolas paradas, desmontaram o espírito rubro-negro antes mesmo que o jogo pudesse amadurecer. Murilo e Gustavo Gómez atacaram como quem conhece o destino, e o Vitória, atônito, assistiu à própria desorganização ganhar forma no placar. Depois vieram Maurício, Allan e Sosa, como capítulos sucessivos de uma tragédia anunciada. Dudu, quase um sobrevivente, descontou.
Na entrevista coletiva, Jair Ventura falou como quem confessa. Admitiu falhas, lamentou a falta de imposição e apontou a competitividade como cláusula pétrea do futebol — “inegociável”, disse ele, com a gravidade de um juiz no tribunal da consciência. Para o treinador, o jogo esteve equilibrado até que a bola parada, velha inimiga, resolveu cobrar seu preço.
As ausências pesaram, embora não sirvam de absolvição. Sem Renato Kayzer e Camutanga, o Vitória perdeu pilares, improvisou peças e se viu mais limitado. Ainda assim, Jair fez questão de sublinhar: a derrota não nasceu das lesões, mas da imposição palmeirense, dessa força bruta que não pede licença e não aceita contestação.
COLETIVA DE IMPRENSA
E então veio Dudu. Entrou no segundo tempo como quem entra na história pela porta dos fundos, mas saiu pela frente. Jogou em pé, não se escondeu, marcou o gol do Vitória e selou o próprio destino. “Pediu passagem”, decretou Jair Ventura, já projetando o atacante como titular no próximo compromisso, contra o Flamengo, no Barradão.
Antes disso, há o Jequié, pelo Campeonato Baiano, e a necessidade urgente de virar a chave. O Vitória, como lembrou o treinador, já caiu outras vezes e soube levantar. No futebol — esse romance trágico — a queda nunca é definitiva. Desde que alguém, como Dudu, tenha a coragem de pedir passagem.


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