Atacante vindo do futebol asiático é anunciado como esperança, enquanto o torcedor já aprendeu a desconfiar até dos próprios sonhos
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| Lucas Silva é anunciado pelo Vitória — Foto: Divulgação / EC Vitória |
O Vitória anunciou a contratação de Lucas Silva, atacante de 26 anos, e com ele apresentou ao seu torcedor aquilo que o rubro-negro conhece melhor do que qualquer tática: a promessa. Mais uma. Talvez a última em que ainda se tenta acreditar.
Lucas Silva chega por empréstimo do FC Seoul, da Coreia do Sul, com contrato até o fim de 2026 e opção de compra. Está regularizado, apto a jogar e, sobretudo, apto a enfrentar a mais dura das defesas: a desconfiança de uma arquibancada cansada de discursos e faminta por fatos.
No vídeo de apresentação, o roteiro foi conhecido. O atacante falou em “realização de um sonho”, em “oportunidade única”, em torcida inflamada e em Barradão pulsante. O torcedor ouviu tudo em silêncio — não por falta de amor, mas por excesso de decepções acumuladas.
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Lucas tem passado respeitável, ainda que discreto. Formado entre São Paulo e Mirassol, rodou por Portugal sem nunca ser estrela e, nos últimos dois anos, vestiu a camisa do FC Seoul. Foram 50 jogos, nove gols e duas assistências. Números que não empolgam, mas também não absolvem — ficam ali, naquele território incômodo entre a esperança e o alerta.
No Vitória, clube onde o erro vira tragédia e o silêncio vira cobrança, Lucas Silva não chega para ser promessa. Promessas já lotam o arquivo morto da história recente rubro-negra. Ele chega para provar que ainda existe fome em meio ao conformismo, suor em meio ao discurso e coragem em meio ao caos.
O torcedor, por sua vez, assiste. Não aplaude, não vaia. Observa. Porque no Vitória, hoje, acreditar virou um ato de resistência — e cada novo reforço precisa fazer mais do que falar bonito: precisa sobreviver ao julgamento implacável das arquibancadas e ao peso de um escudo que não perdoa.


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