Grupo alternativo retoma treinos e elenco principal se reapresenta no CT Manoel Pontes Tanajura
No primeiro sábado de 2026, o Vitória divide atenções entre a urgência do Baianão e o planejamento de uma temporada que exige fôlego, paciência e memória recente de sobrevivência.
O calendário não concede tréguas, e o futebol — esse senhor impiedoso — cobra presença mesmo quando o corpo ainda boceja o fim das festas. Assim começa o ano de 2026 no Centro de Treinamento Manoel Pontes Tanajura, onde o Vitória volta a se mover, dividido em dois grupos, como quem tenta organizar o próprio destino.
O grupo 1, formado majoritariamente por jovens revelados na Fábrica de Talentos e atletas do sub-20, retoma neste sábado a preparação iniciada ainda em dezembro. Eles carregam nos ombros a missão imediata: disputar o Campeonato Baiano. A estreia está marcada para o dia 10, diante do Atlético de Alagoinhas, no Barradão, às 16 horas — horário em que o sol castiga e a paciência do torcedor também.
Caberá a Rodrigo Chagas, auxiliar técnico da comissão de Jair Ventura, comandar o time alternativo. Sete dias. Apenas sete. É o tempo que o futebol concede para que garotos virem homens e para que a esperança ganhe forma tática. Nada mais emocionante do que isso: a pressa como método e a necessidade como virtude.
Enquanto isso, o grupo principal — aquele que escapou do abismo no último suspiro do Brasileirão — retorna das férias conquistadas com suor e um 1 a 0 dramático sobre o São Paulo, no dia 7 de dezembro. Vitória que garantiu a permanência na elite e devolveu ao clube o direito de planejar, algo raro quando se vive à beira do precipício.
Os jogadores do elenco principal ficarão concentrados na chácara Vidigal Guimarães durante a primeira semana de pré-temporada. Antes da bola rolar, virão as avaliações físicas, ortopédicas e funcionais no Núcleo de Saúde e Performance. O corpo, afinal, precisa ser convencido de que sobreviver não basta: é preciso competir.
O Vitória já começou a redesenhar o elenco. O clube adquiriu em definitivo os direitos econômicos do volante Baralhas e do atacante Erikc. Também chegaram Mateusinho, lateral vindo do Cuiabá, e Caíque Gonçalves, volante que desembarca de Caxias do Sul com a fama de operário silencioso — desses que não brilham, mas sustentam.
A temporada promete ser longa e cruel. O Campeonato Brasileiro começa no dia 28, contra o Remo, novamente no Barradão, às 16 horas. Até lá, o Vitória tenta organizar seus dois tempos: o presente imediato, feito de garotos e improvisos, e o futuro próximo, que exige estrutura, elenco e memória do sofrimento recente.
No futebol, como na vida, não há recomeços puros. Há continuidades disfarçadas. O Vitória inicia 2026 exatamente assim: entre o descanso que acabou e a luta que nunca termina.
Fonte: EC Vitória | Foto: Victor Ferreira / ECV


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