Presidente acredita que mais duas vitórias podem garantir a permanência rubro-negra na Série A, mas histórico do Brasileirão mostra que a missão exige atenção até a última rodada
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| Fábio Mota, presidente do Vitória, em entrevista exclusiva — Foto: Felipe Teles / TV Bahia |
Com 37 pontos, na 13ª posição e cinco pontos acima da zona de rebaixamento, o Vitória entra na reta final do campeonato com sete partidas pela frente. Fábio Mota projeta mais seis pontos para alcançar os 43, enquanto os números da UFMG indicam que essa pontuação ainda não elimina completamente o risco de queda.
No futebol, a tranquilidade é uma visita que nunca deve receber as chaves da casa. Ela chega depois de um resultado favorável, senta-se à mesa e convence o torcedor de que o pior já passou. Mas o Campeonato Brasileiro tem uma memória cruel: basta uma sequência de tropeços para transformar o alívio de hoje na aflição de amanhã.
O Vitória terminou a 31ª rodada com motivos para respirar um pouco melhor. O empate por 1 a 1 com o Corinthians, na última segunda-feira, combinado com os resultados dos concorrentes, permitiu ao Rubro-Negro abrir cinco pontos de vantagem para a zona de rebaixamento. O cenário animou o presidente Fábio Mota, que voltou a falar sobre as contas para manter o clube na elite nacional.
— Nas minhas contas faltam mais duas vitórias para a gente conquistar o primeiro objetivo, que é ficar na Série A pelo quarto ano seguido. Temos mais sete jogos para fazer, 21 pontos em disputa. A gente vai continuar no nosso objetivo — afirmou o dirigente.
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Ler notícia →A conta é simples: duas vitórias acrescentariam seis pontos aos 37 que o Vitória possui, levando a equipe aos 43. Simples na calculadora, porém, não significa necessariamente simples dentro de campo. Cada rodada reserva dificuldades próprias, e o adversário não costuma respeitar as projeções feitas nos gabinetes.
O que dizem os números sobre o risco de rebaixamento?
Os cálculos do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ajudam a dimensionar a situação. Com 43 pontos, o Vitória teria, segundo a estimativa divulgada na matéria, 11% de risco de rebaixamento. Com a pontuação atual, de 37 pontos, o risco calculado para o clube é de 5%, conforme o mesmo levantamento.
A diferença entre esses números merece atenção: as probabilidades variam conforme os resultados das partidas e os cenários possíveis para os clubes envolvidos na disputa. Por isso, uma estimativa matemática não deve ser confundida com uma garantia de permanência.
- 41 pontos: 53% de risco de rebaixamento.
- 42 pontos: 29% de risco de rebaixamento.
- 43 pontos: 11% de risco de rebaixamento.
- 44 pontos: 3% de risco de rebaixamento.
- 45 pontos: 0,4% de risco, segundo os dados apresentados.
Os números também recomendam prudência por outra razão. No recorte histórico dos 20 anos do atual formato da Série A citado na matéria, alcançar 43 pontos foi suficiente para escapar da queda em apenas oito temporadas: 2010, 2011, 2014, 2015, 2017, 2018, 2019 e 2020.
É verdade que cada campeonato tem suas particularidades. O número de pontos necessário para escapar depende da campanha dos concorrentes, e não de uma regra imutável. Ainda assim, o retrospecto mostra por que o Vitória não pode tratar os 43 pontos como um salvo-conduto.
O Barradão como trunfo — e a cobrança por resultados fora
Fábio Mota também defendeu a importância do desempenho em casa para explicar a campanha rubro-negra. O presidente reconheceu que o longo jejum como visitante não deve ser tratado como algo normal, mas argumentou que os resultados no Barradão ajudam a compensar essa dificuldade.
— Três pontos tanto faz em casa ou fora. O Jair colocou bem isso na coletiva. A gente tem dez vitórias no campeonato. A gente não pode normalizar não ter ganhado fora nesse momento. Mas a gente não pode normalizar ter vencido dez partidas em casa, um dos melhores aproveitamentos da história do Vitória em Campeonato Brasileiro dentro de casa. Uma coisa compensa a outra — declarou.
A lógica do dirigente tem fundamento: vencer diante da própria torcida pode fazer a diferença em uma disputa tão apertada. O problema é que o calendário não permite ao Vitória escolher apenas os jogos que parecem mais favoráveis. A equipe precisará demonstrar força também longe de Salvador, especialmente porque ainda terá de visitar adversários que brigam por seus próprios objetivos.
Quatro das sete partidas restantes serão disputadas no Barradão. A vantagem, contudo, vem acompanhada de dois compromissos exigentes em casa: Athletico-PR e Fluminense, ambos apontados na matéria como integrantes do G-6. O Vitória ainda não venceu equipes que ocupam as seis primeiras posições da tabela, um dado que torna esses confrontos especialmente importantes.
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Confira os sete jogos restantes do Vitória
- 32ª rodada: Vitória x Athletico-PR — Barradão.
- 33ª rodada: Coritiba x Vitória — fora de casa.
- 34ª rodada: Vitória x Fluminense — Barradão.
- 35ª rodada: Vitória x Bragantino — Barradão.
- 36ª rodada: Internacional x Vitória — fora de casa.
- 37ª rodada: Vitória x Santos — Barradão.
- 38ª rodada: Vasco x Vitória — fora de casa.
O roteiro está desenhado, mas o desfecho continua nas mãos dos jogadores. O Vitória terá de enfrentar adversários em situações diferentes na tabela, administrar a pressão e transformar a vantagem atual em pontos concretos. Cada vitória aproxima o clube do objetivo; cada tropeço aumenta a importância das rodadas seguintes.
A permanência na Série A é o primeiro objetivo declarado pela direção, e há motivos para acreditar que o Vitória pode alcançá-lo. Mas acreditar não significa relaxar. O torcedor rubro-negro conhece a diferença entre respirar aliviado e comemorar de verdade. Uma coisa é enxergar a saída do túnel; outra é atravessá-lo.
O próximo capítulo será escrito neste sábado, às 16h30, no horário de Brasília, quando o Vitória receberá o Athletico-PR no Barradão, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Fábio Mota fez as contas. Agora, Jair Ventura e seus jogadores terão de fazê-las valer dentro de campo.
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