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Jair Ventura exalta goleada do Vitória e pede goleiro na Seleção: “Ancelotti, dá uma olhadinha”

Técnico destaca reação do Rubro-Negro, elogia Lucas Arcanjo e mira primeira vitória fora de casa

Jair Ventura em Vitória x Chapecoense — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória
Jair Ventura em Vitória x Chapecoense — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória


O Barradão voltou a respirar. Depois de semanas em que a bola parecia pesar mais do que devia e a arquibancada já carregava a impaciência dos resultados ruins, o Vitória reencontrou a torcida com uma atuação que teve algo de desabafo. Na noite desta quarta-feira, o Rubro-Negro goleou a Chapecoense por 4 a 0, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, chegou aos 36 pontos e devolveu ao estádio uma velha sensação: a de que, por alguns minutos, o futebol pode ser simples.

Erick e Matheuzinho foram os donos da noite, com dois gols cada. Mas Jair Ventura enxergou na goleada algo maior do que a fotografia do placar. Para o treinador, a vitória também representou uma resposta de um grupo que vinha sendo cobrado, um prêmio ao trabalho realizado durante os 17 dias de paralisação e, sobretudo, um reencontro com a torcida.

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Cerca de 13 mil torcedores estiveram no Barradão. O público chegou desconfiado, ainda ferido pelos últimos resultados, mas terminou a noite participando de uma espécie de reconciliação. Jair fez questão de reconhecer esse movimento.

“Quero agradecer primeiro à nossa torcida que compareceu. A gente sabe que eles estavam magoados pelos últimos jogos, então agradecemos pelo voto de confiança. Foram 13 mil pessoas. Compareceram, e tudo fica mais difícil sem eles”, afirmou o treinador.

O segundo tempo que mudou a noite

Se o primeiro tempo ainda carregava as marcas da tensão, o segundo foi uma avalanche rubro-negra. Três dos quatro gols saíram depois do intervalo, e o Vitória terminou a partida empurrando a Chapecoense para trás.

Jair atribuiu parte desse desempenho ao trabalho realizado durante a Data Fifa. O longo intervalo sem jogos não foi tratado pelo departamento de fisiologia e pela preparação física como férias. As cargas foram controladas, os atletas recuperados e o objetivo era chegar ao retorno inteiro. Na visão do treinador, o resultado apareceu justamente quando o jogo exigiu mais do corpo.

“Queria parabenizar o departamento de fisiologia e preparação física. Esse tempo que tivemos de 17 dias parados a gente equilibrou muito as cargas para chegar inteiro, como foi hoje”, explicou.

O técnico ainda lembrou que a Chapecoense não era um adversário qualquer. Segundo Jair, o time catarinense já havia vencido o Corinthians em Itaquera e empatado fora do país, e esses resultados deveriam impedir qualquer tentativa de diminuir o mérito da atuação rubro-negra.

A frase de Jair tinha endereço certo. O Vitória não queria apenas ganhar. Queria que a goleada fosse reconhecida como aquilo que foi: uma atuação convincente.

“Terminamos em cima dos caras. Só o Lucas Silva teve três chances. Essa equipe venceu o Corinthians em Itaquera, empatou lá na Colômbia. É importante dizer isso antes que tentem tirar mérito da nossa equipe. Os meninos hoje deram conta do recado, e a gente anda mais uma casinha na tabela”, afirmou.

Lucas Arcanjo ganha um pedido para Ancelotti

No meio da festa, Jair Ventura resolveu fazer campanha. E não foi por reforço, contratação ou mudança tática. O treinador olhou para a própria meta e enxergou um nome que, na sua avaliação, merece ser observado pela Seleção Brasileira: Lucas Arcanjo.

O goleiro teve participação importante na partida e voltou a demonstrar segurança em um momento em que o Vitória precisava exatamente disso. Jair, então, decidiu mandar o recado diretamente ao técnico Carlo Ancelotti.

“Ancelotti, dá uma olhadinha no Lucas aí. Ajuda a gente, convoca ele. É Data Fifa, não vai prejudicar. É um cara que merece, um líder, está em uma crescente”, declarou.

Jair também recordou que Ancelotti abriu espaço recentemente para três jovens jogadores na Seleção e vê nisso uma fresta para Lucas Arcanjo.

“Ancelotti deixou uma esperança muito grande chamando três jovens agora. Quem sabe na próxima ele não olha com mais carinho. A convocação dele seria uma alegria para todos nós. Somos uma equipe nos momentos bons e nos ruins”, completou.

NOITE DE MUITOS GOLS



Erick troca a vaia pelo grito de gol

A história de Erick também mereceu capítulo próprio na coletiva. O atacante havia deixado o campo sob vaias no último compromisso do Vitória. Contra a Chapecoense, respondeu da maneira mais antiga e mais cruel do futebol: com gols.

Foram dois. Jair não tratou a cobrança anterior como injustiça, mas lembrou que o futebol transforma rapidamente heróis em suspeitos e suspeitos novamente em heróis.

“Queria falar também do Erick, que saiu vaiado no último jogo e hoje fez dois gols”, destacou Jair.

O treinador explicou que Erick elevou o nível de expectativa depois de decidir partidas importantes pelo Vitória. Quando os gols desapareceram, a cobrança apareceu. Para Jair, faz parte do ofício.

“Quando ele deixou de fazer o que deixou a torcida acostumada, as críticas vieram. Mas estamos preparados para as críticas. A gente sabe que futebol é assim”, afirmou.

Matheuzinho e a noite dos aniversariantes

Matheuzinho também deixou sua assinatura na goleada com dois gols. E Jair fez questão de lembrar outro detalhe curioso da noite: Renê e Mateus Silva comemoraram aniversário justamente no dia da partida.

Mateus Silva, que vinha de problema muscular, conseguiu atravessar o período sem jogos e retornou em boas condições. Para Jair, a recuperação não foi apenas física. O intervalo também permitiu que jogadores recuperassem a cabeça depois de uma sequência pesada.

“Duas coisas que incomodam os atletas são quando a fase não está boa e a lesão. O cara deixar de fazer o que mais ama é muito ruim. Todo mundo sente a dor de quando perde um companheiro. Todo mundo sente os momentos ruins. Por isso, quando eles recuperam e ganham sequência, a alegria também é de todos”, explicou.

Jair não quer mudar suas convicções

A goleada também abriu espaço para perguntas sobre escolhas e alterações. Walace entrou no segundo tempo no lugar de Caíque Gonçalves, que estava pendurado com cartão amarelo. Jair explicou que vê Walace como volante de marcação e que a mudança nasceu de uma circunstância específica da partida.

Zé Vitor permaneceu como opção. E Jair fez questão de deixar claro que uma boa atuação ou um momento ruim não será suficiente para fazê-lo abandonar suas convicções.

“Não vou mudar minhas convicções por causa de momentos ruins. É a mesma coisa do Erick. A gente entende quando as coisas não acontecem”, afirmou.

Lucas Silva entra na disputa por uma vaga

Com Diego Tarzia suspenso para a próxima rodada, Lucas Silva surge entre as possibilidades para ocupar o espaço deixado pelo argentino. Jair, porém, tratou de esconder o jogo.

Ao ser questionado se Lucas Silva seria o substituto de Tarzia, o treinador brincou que confirmar seria entregar a escalação ao adversário. Segundo Jair, ninguém largou na frente e todos terão as mesmas oportunidades.

O jogador teve chances contra a Chapecoense, não aproveitou todas, mas criou situações e agradou ao treinador.

Vitória ainda carrega um fantasma: jogar fora de casa

A festa do Barradão, entretanto, não permite que o Vitória esqueça aquilo que mais o atormenta. O time ainda busca a primeira vitória fora de casa na Série A. E o calendário não oferece piedade: o próximo compromisso será contra o São Paulo, sábado, às 21h, no Morumbis, pela 30ª rodada.

Depois do São Paulo, ainda haverá o Corinthians. São duas oportunidades consecutivas longe de Salvador para quebrar um tabu que Jair reconhece estar incomodando o elenco.

“A gente quer buscar essa vitória fora de casa. Foi o foco da nossa reza ali agora. Temos duas oportunidades para isso, e que possa ser logo na primeira. Essa ausência de vitórias fora de casa está nos incomodando muito”, disse.

Jair resumiu o desafio sem fazer contas para duas ou três partidas. Para ele, o futebol não aceita planos muito longos. Existe apenas a próxima final. E, neste momento, ela atende pelo nome de São Paulo.

“Se eu soubesse, teria ganhado mais jogos. Cada jogo é uma história. Não faço projeção de dois ou três jogos, é sempre o próximo jogo. O São Paulo é nossa próxima final, uma equipe muito qualificada. Espero conseguir nossa primeira vitória fora de casa”, declarou.

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A goleada não apagou a cobrança — apenas mudou o tom

Jair também reconheceu o peso da confiança recebida da diretoria. A permanência no cargo trouxe consigo uma responsabilidade que o treinador sabe que não desaparece depois de uma vitória, por mais larga que seja.

“Quando não é feito o que muita gente queria que fosse feito, a pressão é grande. A gente tem que retribuir revertendo quadros”, afirmou.

E, diante de uma pergunta sobre o que ainda poderia ter sido melhor na goleada, Jair respondeu com o humor de quem conhece o futebol por dentro. Ele lembrou que foi jogador até os 26 anos e que, diante de um 4 a 0, não aceitaria ouvir um treinador reclamando da atuação.

“Eu fui um operário da bola. Joguei até os 26 anos. Se meu time ganhar de 4 a 0 e o treinador fala que não gostou, eu dou uma surra nele. Então hoje eu fico muito satisfeito com o placar e o desempenho da equipe”, brincou.

A noite terminou com o Vitória sorrindo, o Barradão respirando e Jair Ventura fazendo contas de esperança. Lucas Arcanjo ganhou uma campanha particular para chegar à Seleção. Erick transformou vaias em gols. Matheuzinho também deixou dois. Mateus Silva mostrou que a recuperação pode devolver peças importantes ao time.

Mas o futebol, esse velho cobrador, não concede absolvição definitiva. A goleada sobre a Chapecoense vale três pontos e uma noite de alívio. O problema é que o próximo palco será o Morumbis, longe do calor do Barradão e diante de um São Paulo que obrigará o Vitória a provar se a reação foi apenas uma noite feliz ou o começo de alguma coisa maior.

Jair sabe qual é a ferida. O Vitória sabe qual é o tabu. Falta descobrir se o Leão finalmente encontrará, longe de Salvador, a vitória que tanto procura.

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