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Vitória transforma a estrada em pesadelo e bate recorde negativo no Brasileirão

Pior visitante da Série A, Rubro-Negro chega a 15 partidas sem vencer fora de casa e supera marca negativa da própria história nos pontos corridos

Matheusinho comemora gol do Vitória contra o Santos — Foto: Jota Erre/AGIF
Matheusinho comemora gol do Vitória contra o Santos — Foto: Jota Erre/AGIF


O Vitória voltou de São Paulo com mais uma derrota, mas trouxe na bagagem algo ainda mais incômodo do que os três pontos perdidos: um recorde que nenhum clube deseja exibir. Ao perder por 2 a 1 para o São Paulo, no Morumbis, o Rubro-Negro chegou a 15 partidas como visitante sem conquistar uma vitória neste Campeonato Brasileiro. São cinco empates e dez derrotas. A estrada, que deveria levar o Leão a novos horizontes, transformou-se num corredor de frustrações.

Cada viagem oferece a oportunidade de interromper o sofrimento; cada retorno, porém, devolve à torcida a velha pergunta: quando o Rubro-Negro conseguirá vencer longe de Salvador?

O número alcançado agora ultrapassa a marca anterior do clube nos pontos corridos. Em 2025, o Vitória passou 14 jogos sem conseguir a primeira vitória fora de casa. Naquela ocasião, o jejum terminou na 29ª rodada, quando a equipe derrotou o Santos por 1 a 0, na Vila Belmiro, com gol de Matheuzinho. Foi um resultado decisivo na luta pela permanência na elite. Mais tarde, pela 35ª rodada, o time ainda venceu o Sport por 3 a 1 como visitante.

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Agora, a história ameaça repetir-se, mas com um capítulo mais amargo. A temporada de 2026 já colocou o Vitória diante de 15 oportunidades sem vitória fora de casa. E o campeonato continua andando. O calendário não espera que um clube resolva seus fantasmas; apenas apresenta o próximo adversário e cobra uma resposta.

Jair Ventura admite que não tem a resposta

Depois da derrota para o São Paulo, Jair Ventura reconheceu o peso do problema e não tentou oferecer uma solução mágica. “Estamos tentando. Vamos tentar mudar isso. É algo que nos incomoda, mas não tenho as respostas. Se tivesse, já teria feito. Vamos tentar fazer mais jogos como foi hoje”, afirmou o treinador na entrevista coletiva.

A declaração expõe a dimensão do impasse. O treinador sabe que o desempenho como visitante incomoda, mas a confissão de que ainda não encontrou a saída aumenta a pressão sobre uma equipe que precisa transformar discurso em resultado. Reconhecer o problema é necessário; resolvê-lo, indispensável. No futebol, a sinceridade pode explicar a crise, mas não soma pontos na tabela.

O São Paulo venceu por 2 a 1, com Calleri marcando os dois gols dos donos da casa. O Vitória conseguiu reagir e empatou momentaneamente com Martínez, mas voltou a sofrer defensivamente e saiu derrotado. O roteiro é conhecido: o time encontra forças para competir em determinados momentos, mas não consegue sustentar o resultado até o fim. Para quem já atravessou tantas rodadas sem vencer fora, cada falha ganha o peso de uma punição.

Uma sequência que atravessa a história do clube

A comparação com outras temporadas torna o cenário ainda mais eloquente. Em 2024, a primeira vitória fora de casa veio na sexta partida. Em 2018, bastaram três jogos; em 2017, quatro. Em 2016, foram seis. O Vitória venceu logo na primeira partida como visitante em 2013, 2009 e 2003. Em 2014, precisou de duas partidas; em 2010, de oito; em 2008, de quatro; e, em 2004, de cinco.

A temporada passada já havia levado o clube ao limite, com a vitória sobre o Santos apenas no 15º compromisso fora de casa. Em 2026, o Leão conseguiu ultrapassar até esse marco negativo. Não se trata mais de uma dificuldade passageira escondida entre resultados ruins. É uma sequência longa, persistente e suficientemente grave para exigir uma mudança concreta de comportamento.

VOTO CONSCIENTE  

Lula 13

Os 15 jogos que explicam o tamanho do problema

O caminho percorrido pelo Vitória como visitante neste Brasileirão é uma coleção de tropeços, empates e derrotas. A sequência começou na segunda rodada, diante do Palmeiras, e chegou ao capítulo mais recente no Morumbis:

  • Palmeiras 5 x 1 Vitória — 2ª rodada;
  • Bahia 1 x 1 Vitória — 5ª rodada;
  • Grêmio 2 x 0 Vitória — 7ª rodada;
  • Cruzeiro 3 x 0 Vitória — 9ª rodada;
  • Chapecoense 1 x 1 Vitória — 10ª rodada;
  • Athletico 3 x 1 Vitória — 13ª rodada;
  • Fluminense 2 x 2 Vitória — 15ª rodada;
  • Bragantino 2 x 0 Vitória — 16ª rodada;
  • Santos 3 x 1 Vitória — 18ª rodada;
  • Botafogo 0 x 0 Vitória — 4ª rodada;
  • Remo 2 x 0 Vitória — 20ª rodada;
  • Flamengo 2 x 0 Vitória — 22ª rodada;
  • Atlético-MG 2 x 1 Vitória — 25ª rodada;
  • Mirassol 2 x 2 Vitória — 27ª rodada;
  • São Paulo 2 x 1 Vitória — 30ª rodada.

A lista inclui cinco empates, dez derrotas e nenhuma vitória. O empate contra o Botafogo, por 0 a 0, e a igualdade por 2 a 2 diante do Mirassol mostram que o Vitória já conseguiu arrancar pontos em campos adversários. Mas pontuar de vez em quando não encerra o jejum. Para quebrar a marca, será necessário vencer — e a diferença entre uma coisa e outra é justamente o que tem atormentado o clube.

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Zagueiro Cacá fora


Quatro oportunidades para salvar a honra de visitante

Ainda restam quatro partidas fora de casa para o Vitória tentar terminar o campeonato com pelo menos uma vitória longe de Salvador. A próxima oportunidade será contra o Corinthians, no dia 19 de outubro, segunda-feira, às 20h, na Neo Química Arena, pela 31ª rodada.

  • Corinthians x Vitória — 19 de outubro, Neo Química Arena, 31ª rodada;
  • Coritiba x Vitória — 29 de outubro, Couto Pereira, 33ª rodada;
  • Internacional x Vitória — data-base de 22 de novembro, 36ª rodada;
  • Vasco x Vitória — data-base de 2 de dezembro, 38ª rodada.

O primeiro desafio é contra um adversário que conhece bem Cacá: o zagueiro está emprestado pelo Corinthians, embora a partida em questão seja uma nova oportunidade para o Vitória tentar interromper sua sequência negativa. Depois vêm Coritiba, Internacional e Vasco. Quatro viagens, quatro possibilidades de mudar a narrativa de uma campanha que já entrou para a história do clube por um motivo indesejado.

O Vitória não precisa de promessas grandiosas. Precisa de organização, concentração e coragem para jogar fora de casa sem se comportar como um visitante resignado. O adversário pode ter estádio, torcida e pressão a seu favor; não pode receber também, de presente, os erros que facilitam a derrota.

A torcida rubro-negra conhece a diferença entre perder uma partida e se acostumar a perder. O recorde de 15 jogos sem vitória como visitante é um aviso que não pode ser arquivado como simples estatística. O campeonato ainda oferece quatro chances. A questão agora é saber se o Leão vai encarar essas viagens como novas condenações ou como a oportunidade de, finalmente, sair do próprio labirinto.

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