Presidente afirma ter acionado a ANRESF, cobra cerca de R$ 10 milhões pela venda de Wagner Leonardo e acusa o clube gaúcho de prejudicar o Vitória e desequilibrar a disputa contra o rebaixamento
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Enquanto luta para escapar dos últimos lugares do Campeonato Brasileiro, o Vitória voltou a cobrar uma dívida milionária do Grêmio pela transferência do zagueiro Wagner Leonardo. O presidente rubro-negro, Fábio Mota, afirma que denunciou o clube gaúcho à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) e não economizou nas palavras ao criticar a condução do caso.
“Esculhambação do futebol brasileiro.” Foi assim que Mota resumiu sua indignação em entrevista à ESPN. Para o dirigente, o Vitória organizou o próprio planejamento financeiro contando com o dinheiro de uma venda importante, mas acabou diante de uma cobrança que, segundo ele, não recebe resposta satisfatória. O presidente sustenta que o Grêmio continua contratando e registrando jogadores enquanto a pendência permanece aberta.
A cobrança saiu dos bastidores e ganhou voz pública
Segundo Fábio Mota, o Vitória recorreu à ANRESF depois de tentar resolver a situação por meio de notificações extrajudiciais. O dirigente afirma que o clube gaúcho teria prometido quitar os valores quando realizasse novas vendas, mas, mesmo após negociar atletas, não teria regularizado o débito cobrado pelo Rubro-Negro.
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A reclamação não se limita ao dinheiro. Mota questiona o que considera uma diferença de tratamento entre clubes que enfrentam dificuldades financeiras. Ele citou o caso do Internacional, que, segundo sua declaração, sofreu um transfer ban e ficou impedido de registrar novos atletas, enquanto o Grêmio teria continuado a reforçar o elenco mesmo com a disputa sobre a dívida.
“O Grêmio não me dá satisfação, não me diz nada e não está nem aí pra nada”, afirmou Mota. O presidente também criticou o fato de o rival gaúcho ter contratado cinco ou seis jogadores na janela, conforme relatou na entrevista. As declarações representam a versão do dirigente do Vitória sobre a disputa; a cobrança e os valores ainda são objeto de divergência entre os clubes.
Uma venda recorde, uma dívida contestada
Wagner Leonardo deixou o Vitória em fevereiro de 2025 e se transferiu para o Grêmio por R$ 26 milhões, valor anunciado à época como recorde na história do clube Colossal. A negociação parecia representar um reforço importante para os cofres rubro-negros. Agora, porém, o negócio tornou-se motivo de uma disputa que ultrapassou a esfera administrativa e chegou ao debate público sobre a responsabilidade financeira dos clubes.
O Vitória cobra aproximadamente R$ 10 milhões. O Grêmio, por sua vez, reconhece a existência de uma dívida, mas contesta o montante apresentado pelo presidente baiano. De acordo com apuração do ge, o clube gaúcho afirma que o valor pendente seria pouco superior a US$ 1 milhão, equivalente a cerca de R$ 5 milhões.
Há, portanto, duas questões distintas: o reconhecimento de que existe uma pendência financeira e a divergência sobre quanto ainda precisa ser pago. Essa diferença é central para entender o conflito. O Vitória exige a quitação do que considera devido; o Grêmio reconhece a dívida, mas apresenta uma quantia inferior à cobrada pelo Leão.
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| Wagner Leonardo de volta ao Barradão — Foto: Divulgação/Grêmio |
CNRD e ANRESF: a disputa ganha outra frente
A batalha não começou nesta semana. Em outubro de 2025, o Vitória já havia acionado o Grêmio na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão ligado à CBF, por causa da dívida relacionada à transferência de Wagner Leonardo. Agora, segundo Mota, o clube também apresentou uma denúncia à ANRESF, agência criada para monitorar, fiscalizar, julgar e aplicar sanções no futebol brasileiro.
Ao comentar a atuação da agência, o presidente afirmou que recebeu a informação de que medidas como transfer bans poderiam ser aplicadas a clubes em situação irregular. A eventual adoção de sanções, contudo, depende da análise do caso e das decisões das instâncias competentes. A denúncia feita pelo Vitória não significa, por si só, que uma punição já tenha sido determinada contra o Grêmio.
Mota já havia elevado o tom em manifestações anteriores, quando chamou o Grêmio de “caloteiro” e sugeriu que o dinheiro obtido pelo clube gaúcho com a classificação na Copa do Brasil fosse utilizado para quitar o débito. A nova reclamação mostra que o impasse permanece e que a direção rubro-negra pretende manter a cobrança em evidência.
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Uma dívida no meio da luta contra o rebaixamento
A disputa financeira ganha contornos ainda mais delicados porque Vitória e Grêmio também são adversários diretos na luta pela permanência na Série A. No cenário apresentado pela reportagem, o clube gaúcho ocupa a zona de rebaixamento, com 31 pontos, cinco a menos que o time baiano. Na reta final do campeonato, cada ponto pode mudar o destino de uma temporada.
É nesse contexto que a denúncia de Fábio Mota ultrapassa a discussão contábil. O dirigente afirma que a falta de pagamento prejudica o planejamento do Vitória e questiona se as regras financeiras são aplicadas de maneira igualitária. A acusação é grave, mas a conclusão sobre eventual desequilíbrio competitivo depende da apuração dos fatos e das decisões dos órgãos responsáveis.
No futebol, a tabela costuma ser apresentada como um retrato simples: pontos conquistados, gols marcados, derrotas sofridas. Mas os clubes também disputam partidas invisíveis, travadas em documentos, cobranças e decisões administrativas. O Vitória tenta evitar que a conta de uma negociação passada continue pesando sobre o presente; o Grêmio contesta o valor cobrado, embora reconheça a existência do débito.
A pergunta que permanece não é apenas quanto falta pagar, mas quando o impasse será resolvido. Para o Vitória, a resposta tem importância financeira e esportiva. Para o futebol brasileiro, o caso volta a colocar em discussão a necessidade de regras claras, fiscalização efetiva e critérios coerentes para todos os clubes. Porque, quando a disputa pela sobrevivência se mistura a uma dívida milionária, a cobrança deixa de ser apenas uma briga entre dirigentes: passa a exigir uma resposta institucional.



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