Rubro-Negro perde por 2 a 0 para o Bahia no Barradão e agora precisa recuperar a confiança antes da decisão contra o Vasco
Algumas derrotas terminam quando o árbitro apita. E há derrotas que continuam caminhando pelo vestiário, entram no ônibus e chegam ao dia seguinte. Para o Vitória, o 2 a 0 sofrido diante do Bahia, neste domingo, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi dessas.
O Barradão, que tantas vezes foi território de afirmação rubro-negra, desta vez assistiu ao rival ser mais eficiente. Alejo Véliz e Jean Lucas fizeram os gols de um Bahia que soube aproveitar as oportunidades, enquanto o Vitória encontrou dificuldades para transformar posse, esforço e algumas chances em futebol capaz de mudar o destino do clássico.
Jair Ventura reconheceu que o Vitória esteve abaixo do que vinha apresentando em casa. A estratégia utilizada na vitória sobre o Botafogo foi mantida, mas o futebol, desta vez, não apareceu com a mesma força.
Um Vitória diferente
O treinador explicou que a escalação sofreu influência dos problemas físicos durante a semana. Gabriel Baralhas e Caíque Gonçalves não estavam em condições ideais, enquanto Emmanuel Martínez passou os últimos dias sob controle de carga e não tinha condições de atuar durante os 90 minutos.
Martínez, por isso, começou no banco. Walace ganhou a oportunidade entre os titulares depois de participar normalmente dos treinamentos.
O Silêncio das Estrelas
“Algumas mensagens não devem ser respondidas.”
Jair Ventura admitiu que, principalmente no primeiro tempo, o time não conseguiu executar aquilo que havia sido planejado. Uma das oportunidades mais lembradas pelo treinador surgiu em uma jogada de Renê e Matheuzinho, em situação de dois contra um, que poderia ter mudado a história da partida.
Depois do intervalo, o Vitória melhorou em alguns momentos, mas o Bahia continuou encontrando espaços. O Rubro-Negro ainda acertou uma bola na trave e teve outra oportunidade clara com Renê antes de sofrer o segundo gol.
O problema foi justamente esse: quando a bola apareceu, o Vitória não conseguiu transformá-la em gol. E clássico, como a velha lógica do futebol ensina, costuma cobrar caro de quem desperdiça.
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Renê e o peso da camisa
Jair Ventura também dedicou atenção especial a Renê. O atacante vive um bom momento com a camisa do Vitória, mas deixou o Ba-Vi com duas oportunidades importantes desperdiçadas e chegou ao terceiro jogo consecutivo sem marcar.
Para o treinador, o jogador precisa ser protegido justamente quando a cobrança começa a pesar. Renê chegou ao Vitória vindo da Série D, e agora sente a dimensão de defender um clube de enorme pressão e tradição.
A mensagem de Jair foi de confiança. O treinador entende que o futebol tem dessas crueldades: em um domingo, uma chance perdida parece maior do que todas as oportunidades convertidas anteriormente. Mas, para ele, a campanha do Vitória ainda tem saldo positivo.
“Hoje é para ficar chateado”, resumiu o técnico ao analisar o momento. Ao mesmo tempo, destacou que o copo da temporada continua mais cheio do que vazio.
O Barradão deixou de ser fortaleza
O resultado também interrompeu uma sequência importante. O Vitória havia chegado ao Ba-Vi como dono do melhor aproveitamento dentro de casa entre os 20 clubes da Série A, com 76%.
Antes do clássico, eram oito vitórias, um empate e duas derrotas em 11 partidas como mandante, com 16 gols marcados e apenas sete sofridos.
Dessa vez, porém, o fator Barradão não apareceu. O Bahia foi mais eficiente e levou para casa uma vitória que aumentou a cobrança sobre o Rubro-Negro justamente antes de uma partida eliminatória.
Jair reconheceu que o Vitória precisava ter feito valer sua campanha dentro de casa, mas não conseguiu repetir a atuação apresentada contra o Botafogo.
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Agora, o Vasco
O futebol, entretanto, não oferece ao Vitória o luxo de permanecer lamentando o clássico. A quarta-feira já está à porta.
Às 21h30, em São Januário, o Rubro-Negro enfrenta o Vasco pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil. É uma partida de outro campeonato, mas chega carregada pelas emoções do Ba-Vi.
Jair Ventura sabe disso. Por isso, quando fala sobre a preparação para o Vasco, escolhe uma palavra que não é tática, nem física: psicológico.
A ideia é recuperar os jogadores rapidamente, reorganizar a cabeça e transformar a frustração do clássico em combustível para uma nova decisão.
O treinador também se apega ao histórico recente do Vitória em partidas decisivas. O clube perdeu o Campeonato Baiano, mas conquistou a Copa do Nordeste e avançou na Copa do Brasil depois de eliminar Flamengo e Athletico.
Para Jair, esse retrospecto mostra que o Rubro-Negro tem capacidade para reagir quando a temporada coloca a faca sobre a mesa.
O desafio agora será transformar essa capacidade em resultado fora de casa. O Vitória ainda busca quebrar a sequência sem vencer como visitante, e São Januário será o próximo palco dessa tentativa.
As outras respostas de Jair Ventura
Saída de Tarzia
Jair explicou que a saída de Diego Tarzia foi uma opção do treinador durante o clássico.
Por que Walace começou?
Martínez ficou fora dos treinamentos durante a semana por causa do controle de carga. Como Walace participou normalmente das atividades, foi escolhido para iniciar a partida.
Situação de Baralhas e Caíque
Os dois jogadores ainda serão reavaliados pelo departamento médico. Jair espera contar com ambos, mas afirmou que ainda não havia uma posição definitiva sobre a condição dos atletas.
Três atacantes
A formação com três atacantes foi a mesma utilizada contra o Botafogo. A diferença, segundo Jair, esteve na execução. Contra o Botafogo, o Vitória poderia ter vencido por uma margem maior; diante do Bahia, o time produziu menos e permitiu que o adversário criasse mais oportunidades.
O time contra o Vasco
Jair Ventura não descartou mudanças e deixou no ar a possibilidade de surpreender o adversário. A escalação será avaliada antes da decisão em São Januário.
O que aconteceu com o Vitória?
O treinador reconheceu que o desempenho foi diferente do que vinha sendo apresentado pela equipe nas partidas anteriores.
A confusão no fim
Sobre a confusão ocorrida nos minutos finais, Jair afirmou que estava do outro lado do campo e não viu o que aconteceu.
A torcida e o rival
O treinador também afirmou que sua preocupação está concentrada no Vitória. Para ele, se o Bahia venceu e comemorou, faz parte da lógica do futebol. Quando o Rubro-Negro vence, também comemora.
A derrota ficou no domingo. A decisão começa na quarta
O Ba-Vi terminou, mas a temporada do Vitória não permite que a derrota seja transformada em funeral. O clássico deixou feridas, dúvidas e uma cobrança inevitável. Só que existe outra partida esperando.
Contra o Vasco, o Vitória terá a oportunidade de responder dentro de campo. Jair Ventura sabe que será preciso recuperar a confiança, corrigir os erros e, sobretudo, devolver ao time a personalidade que apareceu em outras decisões da temporada.
O Ba-Vi foi perdido. A temporada, não.



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