O futebol gosta de fabricar heróis quando o resto da equipe já não consegue respirar. Em noites como a do Nilton Santos, não basta correr, marcar ou disputar cada dividida. É preciso alguém capaz de enfrentar o destino sozinho. O Vitória encontrou esse personagem em Lucas Arcanjo.
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Durante boa parte do segundo tempo, o Botafogo empurrou o Rubro-Negro para dentro da própria área. A posse de bola mudou de lado, a pressão aumentou e o gol carioca parecia apenas questão de tempo. Mas havia um homem disposto a desafiar qualquer lógica. Lucas Arcanjo fechou o gol com pelo menos seis grandes defesas, duas delas de altíssimo grau de dificuldade, e transformou um empate improvável em realidade.
Ao final da partida, Jair Ventura fez questão de dividir o mérito do resultado com o goleiro. O treinador reconheceu que o Botafogo foi superior na etapa final e afirmou que o ponto conquistado passou diretamente pelas mãos do camisa 1.
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"Hoje temos um dos melhores goleiros do Brasil. Arcanjo fez grandes defesas e nos garantiu esse ponto", destacou o treinador, sem esconder a admiração pelo desempenho do atleta.
Jair também explicou que a saída de Zé Vitor, por causa das câimbras, alterou completamente o comportamento da equipe. Segundo o treinador, o volante é a principal referência do Vitória nas disputas pelo alto e sua ausência reduziu a capacidade de recuperar a posse de bola, permitindo ao Botafogo controlar as ações ofensivas durante praticamente todo o segundo tempo.
Mesmo diante da pressão, o comandante rubro-negro preferiu valorizar o resultado conquistado fora de casa. Para ele, enfrentar um adversário direto na luta pela parte de cima da tabela e voltar para Salvador com um ponto representa um passo importante na campanha.
Jair Ventura admitiu que gostaria de repetir a atuação apresentada nos primeiros quarenta e cinco minutos, quando o Vitória conseguiu competir em igualdade e manter maior controle da posse. Na etapa complementar, porém, o cenário mudou completamente. O Botafogo cresceu na partida, passou a criar oportunidades em sequência e obrigou Lucas Arcanjo a viver uma de suas noites mais inspiradas com a camisa rubro-negra.
Mesmo sem vencer longe de Salvador neste primeiro turno, o treinador demonstrou confiança no caminho seguido pelo elenco. Segundo ele, uma campanha baseada em vitórias como mandante e empates fora de casa pode manter o clube sonhando com objetivos ainda maiores dentro da competição.
O empate levou o Vitória aos 26 pontos e fez a equipe ganhar uma posição na tabela, encerrando o primeiro turno na 11ª colocação. Além disso, a distância para o grupo dos quatro primeiros caiu para seis pontos, mantendo vivo o sonho de uma campanha ainda mais ambiciosa no restante do Campeonato Brasileiro.
Jair Ventura também destacou a evolução do grupo desde a retomada da temporada. O treinador lembrou o título conquistado recentemente, elogiou o comprometimento dos jogadores e reforçou que a equipe precisa continuar trabalhando para finalmente quebrar o jejum de vitórias como visitante, algo que volta a ser colocado à prova já na próxima rodada.
O segundo turno começa neste domingo, às 19h30, quando o Vitória enfrenta o Remo, novamente longe de Salvador. Será mais uma oportunidade para transformar os empates em vitórias. Mas, se depender da noite vivida no Rio de Janeiro, o Rubro-Negro já sabe que, enquanto Lucas Arcanjo continuar protegendo a meta, nenhuma batalha estará perdida antes do apito final.



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