Vitória e Corinthians empataram em 0 a 0 no Barradão. Mas dizer isso é mentir pela metade. Porque o placar, frio e burocrático, não traduz o que houve — ou melhor, o que não houve. Foi o jogo com menos finalizações certas de todo o Brasileirão 2026. Uma única. Uma mísera tentativa. Um suspiro aos 41 minutos do segundo tempo.
Diria o poeta louco: “se os fatos estão contra mim, pior para os fatos”. Mas aqui, os fatos não estão contra ninguém. Estão contra o próprio futebol. Porque houve um momento em que a bola deixou de ser protagonista e virou figurante de um drama sem clímax.
O Vitória tentou. Ou fingiu tentar. Teve posse, rondou, ameaçou — tudo isso sem nunca ferir. O Corinthians, por sua vez, parecia satisfeito com o nada. Um pacto silencioso, quase metafísico: ninguém queria perder, mas também ninguém ousou vencer.
O único chute certo veio com Zé Vitor, já quando o relógio agonizava aos 41 do segundo tempo. Um chute. Apenas um. E defendido. Como se o destino dissesse: “hoje não haverá redenção”.
O óbvio se impôs: foi um jogo sem alma. E talvez sem caráter — porque, como diria o velho cronista, “muitas vezes é a falta de coragem que decide uma partida”. Aqui, decidiu-se pelo vazio.
Os números confirmam o absurdo. Segundo o estatísticas da CBF, nenhuma outra partida do campeonato chegou a tal nível de esterilidade. Nem mesmo confrontos esquecíveis como Internacional x Bahia ou São Paulo x Palmeiras conseguiram ser tão... inexistentes.
E assim terminou: sem aplausos, sem vaias, sem catarse. Porque até a indignação exige energia — e este jogo sugou tudo.
No fim, ficou a sensação mais cruel de todas: o futebol esteve presente, mas não compareceu.

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