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Vitória retoma rotina após goleada, integra Renê e mira confronto decisivo com o Cruzeiro

Entre o Delírio da Goleada e a Gravidade do Próximo Combate, Vitória Recomeça com Renê e Olhos no Cruzeiro

Renê, novo atacante do Vitória

Após a euforia em Maceió, elenco rubro-negro retoma trabalhos no CT com rotina de recuperação, reforço em campo e viagem iminente para Belo Horizonte

Há vitórias que embriagam — e há aquelas que cobram juros. O Vitória voltou para Salvador carregando os dois: o prazer da goleada e o peso do calendário.

Já em solo baiano, na tarde desta última segunda-feira (30), o clube se reapresentou no CT Manoel Pontes Tanajura. Era um reencontro sem abraços exagerados. Porque no futebol, como na vida, a alegria tem prazo curto — e o próximo compromisso sempre chega como uma sentença.

O Vitória, que havia dilacerado o CRB por 4 a 2 em Maceió, agora troca o delírio da Copa do Nordeste pela sobriedade do Campeonato Brasileiro. O adversário não é qualquer um: o Cruzeiro, no Mineirão, quarta-feira, às 20h. Depois, a estrada continua — Chapecoense, domingo, no Sul. O destino não dá trégua.

E foi nesse cenário de ressaca moral — onde a vitória ainda ecoa, mas já não consola — que surgiu uma novidade: Renê. O atacante de 22 anos, recém-chegado da Portuguesa, vestiu pela primeira vez o cotidiano rubro-negro. Não foi uma estreia em campo oficial, mas foi um nascimento simbólico. Porque todo jogador, antes de ser herói ou vilão, precisa primeiro existir no treino.

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Enquanto alguns buscavam redenção muscular na academia — os titulares e Osvaldo, sobreviventes da batalha em Maceió —, outros enfrentavam o campo. O futebol tem essa divisão cruel: uns recuperam, outros se provam.

No gramado Bebeto Gama, a comissão técnica desenhou o ensaio do que será o futuro imediato. Sob o olhar atento de Jair Ventura, o treino foi um teatro de possibilidades: ataque contra defesa, movimento contra resistência, esperança contra o inevitável.

Renê participou. Correu. Tentou. E, talvez, sonhou. Porque todo atacante vive disso: de um gol que ainda não aconteceu, mas já dói como se tivesse sido perdido.

Ao seu lado, também esteve Renzo López. No gol, um ritual à parte: Lucas Arcanjo, Fintelmann, Davi, Yuri e Gabriel treinavam como quem sabe que o erro, para eles, não é detalhe — é tragédia.

Enquanto isso, Pedro segue fora, recuperando-se de uma fratura no braço esquerdo. O futebol também é isso: ausência. Um elenco nunca está inteiro — e talvez nunca deva estar.

Nesta terça-feira, o grupo volta a treinar pela manhã. Depois do almoço, parte para Belo Horizonte. Não há descanso, não há contemplação. O futebol exige continuidade — e pune quem ousa parar.

Porque no fundo, como diria um velho cronista, o time não joga apenas contra o adversário. Joga contra o tempo, contra o desgaste, contra si mesmo.

E o Vitória, que ontem foi festa, hoje já é cobrança.

Por Redação Vitória em Destaque — Salvador
30 de março de 2026
Fonte: EC Vitória

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