Vitória acumula quase 20 lesões em 2026, vive rotina de baixas e ainda aguarda decisão sobre Kayzer e Camutanga para enfrentar o Cruzeiro
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| Renato Kayzer em treino do Vitória — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória |
O Vitória vive hoje um paradoxo digno do poeta louco: vence fora de casa, mas tropeça dentro de si mesmo. O adversário já não é apenas o outro time — é o próprio corpo que falha, rompe, grita.
A um suspiro do fim de março, o clube acumula quase 20 problemas físicos em 2026. Não é número, é sintoma. Não é estatística, é ferida aberta.
No último capítulo dessa novela clínica, Renato Kayzer e Camutanga deixaram o campo contra o CRB com dores — como soldados que saem da batalha sem saber se voltam para a próxima. Exames não detectaram lesões, mas o futebol, cruel como sempre, não respeita laudos: ambos seguem como dúvida para enfrentar o Cruzeiro.
Eis o drama: não há lesão confirmada — mas há medo. E no futebol, o medo também joga.
O departamento médico virou ponto de encontro. Nove jogadores estão em tratamento. Em 2025, eram 16 casos até este período. Em 2024, apenas sete. O crescimento não é evolução — é alarme.
E como em toda tragédia, há reincidência: três atletas voltaram a se machucar. Ao todo, 14 jogadores diferentes já sentiram o peso físico da temporada.
A maioria das lesões (64,7%) é muscular — o músculo, esse traidor silencioso, que rompe quando mais se precisa dele. Zagueiros e atacantes lideram o ranking das vítimas. Defesa e ataque — como se o time fosse ferido justamente onde mais precisa viver.
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Jair Ventura, homem de planejamento num mundo de imprevistos, tenta explicar o inexplicável:
“São muitas fatalidades. Nem todas são musculares. Algumas são traumas. Não tem como culpar ninguém.”
Mas o futebol não quer explicações. Quer resultados. E eles continuam vindo — mesmo com o elenco remendado.
Contra o CRB, o Vitória venceu. Convenceu. Resistiu. E agora se prepara para enfrentar o Cruzeiro no Mineirão, carregando dúvidas que pesam mais que qualquer tática.
Kayzer e Camutanga são interrogações. E no futebol, uma interrogação pode mudar tudo.
Caso não joguem, Renê e Edenilson surgem como alternativas. Há também a possibilidade de um time mais cauteloso, com três volantes — porque às vezes, sobreviver é mais urgente que brilhar.
A provável escalação, ainda sob suspense, desenha-se assim:
Lucas Arcanjo; Nathan Mendes, Camutanga (Edenilson), Cacá e Ramon; Baralhas, Martínez e Matheuzinho; Erick, Cantalapiedra (Caíque) e Kayzer (Renê).
O jogo será nesta quarta-feira, às 20h, no Mineirão. Mas a pergunta não é apenas quem entra em campo.
A pergunta é outra, mais profunda, mais cervantino:
Até quando um time consegue vencer a própria dor?


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