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Vitória Resgata a Marca Própria e Faz da Camisa um Ato de Sobrevivência

Fábio Mota confirma que o clube deixará a Volt ao fim da temporada de 2026 e retomará a marca própria "Nego", apostando em um modelo que promete ampliar as receitas 

Camisa do uniforme principal do Vitória em 2021, fornecido pela Nego — Foto: Pietro Carpi / EC Vitória / Divulgação

Há decisões que não nascem da vaidade. Nascem da necessidade. E o Vitória, velho sobrevivente das tempestades do futebol brasileiro, parece ter compreendido que, antes da camisa vestir o torcedor, ela precisa sustentar o clube. Cinco anos depois de entregar sua identidade esportiva à Volt, o Rubro-Negro anuncia o retorno da marca própria, numa escolha em que a matemática vence o glamour e o caixa fala mais alto que o prestígio das grandes fornecedoras internacionais.

O presidente Fábio Mota revelou que a mudança será oficial a partir de 2027. A tradicional marca "Nego", utilizada pelo clube em 2021, deverá voltar a estampar os uniformes rubro-negros. O dirigente explicou que a decisão foi construída a partir de critérios financeiros e não por preferência estética ou desejo de aproximação com grandes fabricantes do mercado esportivo.

No futebol, a camisa é mais do que tecido. Ela carrega promessas, derrotas, títulos e cicatrizes. Mas também representa dinheiro. Muito dinheiro. E foi justamente essa realidade que conduziu a diretoria do Vitória. Segundo Fábio Mota, nenhuma das grandes marcas apresentou uma proposta capaz de atender às necessidades econômicas do clube.

O objetivo da nova parceria é assegurar uma luva estimada em R$ 10 milhões, além de manter para o Vitória os atuais 15% sobre a comercialização dos produtos oficiais. Para a diretoria, abrir mão dessa participação significaria reduzir receitas importantes em um momento em que cada recurso pode determinar o planejamento esportivo das próximas temporadas.

Durante entrevista ao Arena Rubro-Negro, o presidente foi direto ao explicar a escolha. Segundo ele, o projeto financeiro do Vitória permanece deficitário e o clube inicia cada temporada convivendo com um passivo que gira em torno de R$ 60 milhões. Diante desse cenário, optar por uma marca própria deixou de ser apenas uma alternativa comercial para transformar-se em estratégia de sobrevivência financeira.

A gestão entende que grandes empresas como Adidas, Puma e outras fabricantes internacionais oferecem visibilidade, mas dificilmente aceitam conceder adiantamentos financeiros, pagamento de luvas e manutenção do percentual sobre as vendas, condições consideradas indispensáveis pelo Vitória neste momento de reconstrução econômica.

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A empresa que deverá administrar a nova operação utilizará, inicialmente, a marca "Nego", resgatando um símbolo recente da história do clube. A expectativa da diretoria é que o novo contrato reúna aporte financeiro imediato e maior autonomia sobre a produção e comercialização dos materiais esportivos.

A Volt encerra, assim, um ciclo iniciado em 2022. Ao longo de cinco temporadas, a fornecedora acompanhou o Vitória em diferentes capítulos de sua trajetória recente: esteve presente na Série C, participou da campanha de acesso pela Série B e permaneceu durante três temporadas consecutivas na Série A do Campeonato Brasileiro.

Antes da chegada da Volt, a marca "Nego" havia sido implantada durante a gestão do então presidente Paulo Carneiro e permaneceu em utilização até abril de 2022. Poucos meses após assumir a presidência do clube, em outubro de 2021, Fábio Mota conduziu a substituição da fornecedora. Agora, o dirigente promove um movimento inverso, recolocando a marca própria no centro da estratégia comercial rubro-negra.

No fim das contas, talvez o torcedor enxergue apenas uma nova camisa. Mas, por trás das costuras, existe algo maior. Há contas a pagar, metas financeiras, apostas administrativas e a eterna luta de um clube para permanecer competitivo. Porque, no futebol, o uniforme nunca veste apenas onze jogadores. Ele também carrega o peso da história, das dificuldades e das esperanças de uma torcida inteira.

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