Depois de 19 dias de pausa, o Vitória inicia a reconstrução do elenco para os desafios decisivos do segundo semestre.
![]() |
| Jair Ventura com o elenco do Vitória — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória |
Existe um instante em que toda conquista deixa de ser suficiente. O troféu repousa na estante, a festa desaparece lentamente da memória e resta apenas o peso da próxima batalha. O Vitória reencontra esse momento ao se reapresentar para o segundo semestre. O campeão do Nordeste retorna diferente daquele que entrou de férias. Alguns rostos desapareceram. Outros ainda nem chegaram. E há aqueles cuja permanência continua suspensa entre a esperança e a dúvida.
A reapresentação desta sexta-feira marca mais do que o reinício dos treinamentos. Ela inaugura uma nova etapa da temporada rubro-negra, construída sobre escolhas delicadas. Enquanto a torcida volta os olhos para o gramado, a diretoria trabalha silenciosamente nos bastidores, tentando reorganizar um elenco que ainda procura sua forma definitiva para enfrentar o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.
A principal expectativa gira em torno da chegada do volante Walace. Emprestado pelo Cruzeiro até o fim da temporada, o jogador já tem acordo encaminhado, embora só possa ser registrado oficialmente quando a segunda janela de transferências abrir, em 20 de julho. Sua contratação simboliza aquilo que o clube procura neste momento: equilíbrio, experiência e força para um calendário que promete ser implacável.
Mas todo recomeço exige renúncias. Kike Saverio e Renzo López encerraram suas passagens pelo Barradão. Saíram sem grandes cerimônias, como acontece tantas vezes no futebol. Um dia chegam cercados de expectativas; no outro, partem levando apenas a lembrança de oportunidades que nunca se transformaram plenamente em realidade.
Outro nome que parece caminhar para a despedida é Pedro Henrique. Contratado para vestir a camisa nove, o atacante encontrou um destino diferente daquele imaginado quando desembarcou em Salvador. Lesões sucessivas impediram sua estreia oficial pelo Vitória. Agora, o interesse do Cuiabá pode representar a oportunidade de reconstruir uma trajetória interrompida antes mesmo de começar.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
Enquanto alguns deixam o clube, outros aguardam uma definição. Osvaldo vive exatamente esse momento. Seu contrato termina ao final deste mês, mas o próprio atacante revelou que as conversas para uma renovação até dezembro estão bastante avançadas. A diretoria ainda não oficializou o acordo, porém poucos jogadores representam tão bem a experiência e a liderança que o elenco necessita para enfrentar a segunda metade da temporada.
Há, entretanto, uma batalha que acontece longe dos refletores.
O departamento médico segue trabalhando para devolver ao técnico Jair Ventura jogadores importantes. Antes da pausa, oito atletas permaneciam em recuperação: Rúben Ismael, Mateus Silva, Nathan Mendes, Riccieli, Camutanga, Edu, Dudu e Anderson Pato. São ausências que acompanharam o clube durante boa parte do primeiro semestre e que limitaram diversas escolhas da comissão técnica.
Ainda assim, o Vitória conseguiu transformar dificuldades em conquistas. Encerrar a primeira metade do ano com o título da Copa do Nordeste tornou-se uma demonstração de resistência coletiva. No Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro ocupa a 13ª colocação, com 22 pontos, mantendo pequena distância da zona de rebaixamento e alimentando o objetivo de construir uma campanha mais segura na sequência da competição.
O cenário, contudo, exige prudência. A Copa do Brasil reserva um confronto de elevado grau de dificuldade diante do Athletico nas oitavas de final. No Brasileiro, cada rodada passa a carregar um peso maior. Não há espaço para distrações. Tampouco existe margem para repetir os erros cometidos ao longo da caminhada.
O futebol costuma oferecer uma ilusão confortável: a de que uma grande conquista resolve todos os problemas. Não resolve. Ela apenas concede ao vencedor o direito de enfrentar desafios ainda maiores.
É exatamente esse o momento vivido pelo Vitória.
O elenco retorna às atividades trazendo consigo a memória recente de uma taça levantada diante de milhares de torcedores. Mas nenhuma medalha entra em campo. Nenhuma comemoração marca gols. Nenhuma fotografia conquista pontos.
Agora começa outra história.
Uma história construída entre reforços aguardados, despedidas inevitáveis, atletas lesionados, contratos indefinidos e a permanente obrigação de vencer. O segundo semestre apresenta ao Vitória um novo teste. E toda temporada, cedo ou tarde, revela se um campeão foi apenas feliz por alguns meses ou realmente aprendeu a permanecer de pé quando a festa termina.



0 Comentários