O Vitória volta ao campo nesta sexta-feira, 3, como quem carrega mais do que chuteiras: carrega culpas, cansaços e uma necessidade quase trágica de resposta. Depois de atravessar o país e tombar no Mineirão, o Rubro-Negro reaparece no CT Manoel Pontes Tanajura para o primeiro de dois treinos antes do duelo contra a Chapecoense, domingo, na Arena Condá.
Será o terceiro compromisso em 12 dias. E não é apenas o calendário que pesa — é a consciência. Porque o time que viaja é o mesmo que ainda procura a si próprio longe de casa, como um personagem perdido entre a coragem e o colapso.
A delegação desembarcou na madrugada desta quinta-feira, vinda de Belo Horizonte. Os que estiveram em campo foram liberados — como soldados que retornam de uma batalha mal resolvida. No CT, sob o comando do auxiliar Rodrigo Chagas, ficaram aqueles que ainda precisam provar algo. Ou tudo.
E o elenco, já combalido, perde peças. Gabriel Baralhas e Emmanuel Martínez estão fora do confronto por suspensão. Duas ausências que não são apenas numéricas — são estruturais. O meio-campo perde pulmão, perde equilíbrio, perde silêncio. Porque há jogadores que, quando não estão, fazem mais barulho do que quando jogam.
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Neste sábado, o grupo ainda realiza mais uma atividade antes de seguir viagem para Santa Catarina. E lá estará o destino — frio, distante e impiedoso — esperando um Vitória que precisa, mais do que vencer, convencer a si mesmo de que pode.
Depois de Chapecó, não há descanso: o calendário impõe a Juazeirense, pela Copa do Nordeste. O futebol, como a vida, não concede intervalos aos que vacilam.
E assim segue o Vitória: entre aeroportos e dúvidas, entre derrotas e promessas, entre a cruz da Sexta-Feira da Paixão e o possível domingo de ressurreição.


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