Vitória sofre três gols em sequência, perde por 3 a 0 para o Cruzeiro no Mineirão e repete velhos erros longe de casa
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| Cruzeiro x Vitória; Mineirão — Foto: Gilson Lobo/AGIF |
Há derrotas que são acidentes. E há derrotas que são confissões. O 3 a 0 sofrido para o Cruzeiro, no Mineirão, pertence à segunda categoria. Não foi apenas um placar — foi uma revelação.
Em seis minutos — repita-se: seis minutos — o Vitória deixou de ser time e virou espectador da própria tragédia. Christian, Kauã Moraes e Kaio Jorge marcaram entre os 33 e os 39 do primeiro tempo e decretaram o fim antes mesmo do intervalo.
O Cruzeiro, até então cambaleante, foi ressuscitado. E o Vitória, que vinha de um sopro de esperança, voltou a ser aquilo que mais teme: um time emocionalmente frágil fora de casa.
No futebol, como na vida, não é o primeiro golpe que mata — é a sequência.
Após a partida, o técnico Jair Ventura não escondeu a irritação. Não com o acaso, mas com a repetição.
“No nosso melhor momento sofremos três gols em seis minutos. Não podemos normalizar isso. Tomar um gol acontece, mas não podemos nos abater e levar gols sobre gols”, disse, com a lucidez de quem já viu esse filme antes — e não gostou do final.
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E não gostou porque o roteiro é antigo. O Vitória ainda não venceu fora de casa neste Brasileirão. São três derrotas, um empate, apenas dois gols marcados e 11 sofridos. Números que não mentem — apenas acusam.
Ventura foi além. Falou em “os mesmos problemas”. E, quando um treinador repete essa frase, não está analisando — está confessando impotência diante de um padrão que insiste em voltar.
“Queremos vencer fora de casa, mas não conseguimos. Precisamos sanar isso para alcançar equilíbrio”, afirmou.
O problema, talvez, não seja técnico. Seja existencial. O Vitória, longe do Barradão, parece outro time. Ou pior: parece não ser time nenhum.
Na tentativa de mudar o destino, Ventura apostou em uma formação mais ofensiva. Abriu mão de proteção para ganhar presença no ataque. Mas o futebol cobra. Sempre cobra.
“É cobertor curto”, explicou o treinador. E é mesmo. Quando se cobre a cabeça, descobre-se os pés. E o Vitória, no Mineirão, ficou completamente exposto.
O golpe final não foi o terceiro gol. Foi o colapso emocional. Porque, como o próprio técnico admitiu, o time sente — e sente demais.
“O gol sobre gol afeta emocionalmente. O jogo acabou ali.”
E acabou mesmo. O segundo tempo foi apenas formalidade. Um ritual burocrático de quem já sabia o resultado antes do apito final.
Agora, o Vitória precisa juntar os pedaços rapidamente. Neste domingo, encara a Chapecoense fora de casa. Outra viagem. Outro teste. Outro risco.
Porque, no fim, a pergunta permanece:
até quando o Vitória vai perder para si mesmo antes de enfrentar o adversário?


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