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Vitória desaparece fora de casa e coleciona números assustadores na Série A

Sem vencer longe de casa, Rubro-Negro acumula números alarmantes e entra em campo pressionado contra a Chapecoense

Jair Ventura em treino do Vitória — Foto: Victor Ferreira /EC Vitória
Jair Ventura em treino do Vitória — Foto: Victor Ferreira /EC Vitória

Por Redação | Coluna Opinativa • Vitória em Destaque • 03/04/2026

Há times que perdem. Há times que lutam. E há o Vitória fora de casa — uma entidade que, por vezes, sequer parece existir.

O futebol, meu caro leitor, é uma metáfora da vida. E, como toda vida mal resolvida, o Vitória carrega fora de casa um drama que beira o existencial. Não se trata apenas de perder. Perder é humano. O problema é desaparecer.

Quatro partidas longe do Barradão. Três derrotas, um empate. Onze gols sofridos, apenas dois marcados. Um ponto conquistado. Um aproveitamento de míseros 8,3%. Não é campanha — é confissão.

O Vitória, fora de casa, não joga: ele se ausenta. E, ausente, sofre. Sofre como sofre o personagem trágico que entra em cena já derrotado pelo próprio destino.

O dado mais cruel talvez não esteja nos gols sofridos, mas naquilo que o time não faz: o Vitória é o clube que menos finaliza na Série A como visitante. Uma média de 6,8 chutes por jogo — quase um pedido tímido de existência.

Finalizações fora de casa
  • Palmeiras 5 x 1 Vitória — 9 finalizações
  • Bahia 1 x 1 Vitória — 6 finalizações
  • Grêmio 2 x 0 Vitória — 8 finalizações
  • Cruzeiro 3 x 0 Vitória — 4 finalizações

Contra o Cruzeiro, por exemplo, o primeiro chute a gol só veio no segundo tempo. O Vitória não atacava — aguardava. E quem aguarda demais no futebol acaba sendo punido pela própria hesitação.

Classificação Série A 2026

Classificação atualizada do brasileirão

Jair Ventura, com a lucidez de quem enxerga o abismo, reconhece o problema. E suas palavras não são apenas análise — são quase um lamento:

“Não podemos normalizar essa situação.”

E não pode mesmo. Porque normalizar isso é aceitar o fracasso como rotina, a derrota como método, a fragilidade como identidade.

Defensivamente, o cenário não é menos dramático. São 11 gols sofridos fora de casa — o segundo pior número da competição. O Vitória é um time que não ataca e, quando tenta se defender, abre as portas como uma casa abandonada.

Gols sofridos como visitante
  • Botafogo — 13 gols
  • Vitória — 11 gols
  • Cruzeiro — 10 gols

E o mais inquietante: nada disso é novidade. Em 2025, a primeira vitória fora de casa só veio na 29ª rodada. Um parto tardio, sofrido, quase improvável.

CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE 

Agora, diante da Chapecoense, na Arena Condá, o Vitória terá mais uma chance. Mais uma tentativa de existir fora do próprio território. Mais uma oportunidade de provar que não é apenas um time doméstico, condicionado ao conforto da sua torcida.

Mas há ausências. Martínez e Baralhas estão suspensos. E, como num drama bem escrito, os personagens centrais desaparecem justamente quando o enredo exige mais deles.

O futebol, como a vida, cobra. E cobra caro. O Vitória precisa escolher: ou reage, ou se resigna ao papel de figurante nas próprias partidas.

Porque, no fim das contas, o maior adversário do Vitória não é o time do outro lado. É essa versão de si mesmo que insiste em não aparecer quando está longe de casa.

Fonte: Esporte Clube Vitória

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