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| Jair Ventura em treino do Vitória — Foto: Victor Ferreira /EC Vitória |
O futebol, meu caro leitor, é uma metáfora da vida. E, como toda vida mal resolvida, o Vitória carrega fora de casa um drama que beira o existencial. Não se trata apenas de perder. Perder é humano. O problema é desaparecer.
Quatro partidas longe do Barradão. Três derrotas, um empate. Onze gols sofridos, apenas dois marcados. Um ponto conquistado. Um aproveitamento de míseros 8,3%. Não é campanha — é confissão.
O Vitória, fora de casa, não joga: ele se ausenta. E, ausente, sofre. Sofre como sofre o personagem trágico que entra em cena já derrotado pelo próprio destino.
O dado mais cruel talvez não esteja nos gols sofridos, mas naquilo que o time não faz: o Vitória é o clube que menos finaliza na Série A como visitante. Uma média de 6,8 chutes por jogo — quase um pedido tímido de existência.
- Palmeiras 5 x 1 Vitória — 9 finalizações
- Bahia 1 x 1 Vitória — 6 finalizações
- Grêmio 2 x 0 Vitória — 8 finalizações
- Cruzeiro 3 x 0 Vitória — 4 finalizações
Contra o Cruzeiro, por exemplo, o primeiro chute a gol só veio no segundo tempo. O Vitória não atacava — aguardava. E quem aguarda demais no futebol acaba sendo punido pela própria hesitação.
Classificação Série A 2026
Jair Ventura, com a lucidez de quem enxerga o abismo, reconhece o problema. E suas palavras não são apenas análise — são quase um lamento:
“Não podemos normalizar essa situação.”
E não pode mesmo. Porque normalizar isso é aceitar o fracasso como rotina, a derrota como método, a fragilidade como identidade.
Defensivamente, o cenário não é menos dramático. São 11 gols sofridos fora de casa — o segundo pior número da competição. O Vitória é um time que não ataca e, quando tenta se defender, abre as portas como uma casa abandonada.
- Botafogo — 13 gols
- Vitória — 11 gols
- Cruzeiro — 10 gols
E o mais inquietante: nada disso é novidade. Em 2025, a primeira vitória fora de casa só veio na 29ª rodada. Um parto tardio, sofrido, quase improvável.
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Agora, diante da Chapecoense, na Arena Condá, o Vitória terá mais uma chance. Mais uma tentativa de existir fora do próprio território. Mais uma oportunidade de provar que não é apenas um time doméstico, condicionado ao conforto da sua torcida.
Mas há ausências. Martínez e Baralhas estão suspensos. E, como num drama bem escrito, os personagens centrais desaparecem justamente quando o enredo exige mais deles.
O futebol, como a vida, cobra. E cobra caro. O Vitória precisa escolher: ou reage, ou se resigna ao papel de figurante nas próprias partidas.
Porque, no fim das contas, o maior adversário do Vitória não é o time do outro lado. É essa versão de si mesmo que insiste em não aparecer quando está longe de casa.



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