O futebol, às vezes, não é jogado com os pés. É jogado com cicatrizes. E este Chapecoense x Vitória carrega mais marcas do que certezas.
A Chapecoense vem de uma goleada humilhante, um 4 a 0 que não apenas derrubou um técnico — derrubou uma ilusão. Gilmar Dal Pozzo caiu, como caem os que não resistem ao peso da própria derrota. E agora resta um time ferido, inquieto, à beira de uma reação ou de um colapso.
Do outro lado, o Vitória. Ah, o Vitória… esse visitante que não vence, mas que insiste em incomodar. Um paradoxo ambulante: frágil nos números, incômodo na memória.
MEMÓRIAS DO VITÓRIA EM DESTAQUE
Desde 2006, quando pisa no território da Chapecoense, o Rubro-Negro desafia a lógica: venceu três vezes em quatro visitas. É como aquele personagem improvável que, mesmo decadente, ainda guarda um último golpe.
Mas os números atuais são impiedosos. O Vitória é o terceiro pior visitante do Brasileirão. Não venceu. Marcou apenas dois gols. Sofreu onze. Sofre sempre. Sofre tudo.
E há um detalhe quase poético — ou trágico: ambas as equipes vivem da bola aérea. A Chapecoense marcou sete dos últimos dez gols pelo alto. O Vitória sofreu seis dos últimos dez da mesma forma.
É como se o destino gritasse: “Olhem para o céu.” Porque é de lá que pode vir a sentença.
Curiosamente, o Vitória também ataca pelo alto. Quatro dos seus últimos seis gols nasceram assim. Ou seja: o mesmo golpe que o destrói pode ser o que o salva.
Eis o paradoxo. Eis o drama. Eis o futebol.
- Chapecoense em casa: 1 vitória, 3 empates, 1 derrota
- Vitória fora: 0 vitórias, 1 empate, 3 derrotas
- Vitória: pior defesa visitante (11 gols sofridos)
- Chapecoense: 10 gols sofridos em casa
A Chapecoense, embora instável, ainda respira em seus domínios. Já o Vitória parece perder o ar quando sai de Salvador. Não tem posse (42,8%), não tem finalização (6,8 por jogo), e, às vezes, parece não ter sequer presença.
E, no entanto, há equilíbrio — um equilíbrio estranho, quase incômodo. São os dois times com menor posse de bola da competição. Dois times que não dominam o jogo, mas tentam sobreviver a ele.
A Chapecoense desarma pouco. O Vitória combate mais. Um hesita, o outro se desgasta. Nenhum convence.
O que esperar, então?
Talvez um jogo truncado. Talvez um jogo decidido em um lance. Talvez um erro. Talvez um cabeceio solitário que rasgue o destino de uma das equipes.
Porque há partidas que não são vencidas — são suportadas.
E, neste domingo, na Arena Condá, alguém vai suportar melhor o próprio medo.

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