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| Jogadores reunidos em treino do Vitória — Foto: Victor Ferreira /EC Vitória |
O futebol, às vezes, é uma tragédia em chuteiras. E o Vitória, quando atravessa os portões do Barradão, parece um personagem de Nelson Rodrigues: trágico, contraditório e irresistivelmente humano. Em casa, é leão. Fora, vira dúvida — e dúvida não ganha jogo.
A pior campanha como visitante no Campeonato Brasileiro 2026 não é apenas um número. É um diagnóstico. É como se o time se despisse da própria coragem ao sair de Salvador. E, ainda assim, há algo de belo nessa miséria esportiva: porque todo drama exige redenção.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
Neste domingo, às 16h, na Arena Condá, contra a Chapecoense, o Vitória não joga apenas três pontos. Joga a própria dignidade. Joga contra o passado recente, contra a estatística, contra o espelho que insiste em devolvê-lo menor do que imagina ser.
Curiosamente, o adversário também sangra. A Chapecoense, mergulhada em crise e frequentadora indesejada da zona de rebaixamento, oferece ao Rubro-Negro um cenário quase teatral: dois times feridos disputando quem sofre menos.
O Vitória já provou, ainda que timidamente, que pode flertar com a primeira página da tabela. Foi décimo após vencer o Mirassol — um lampejo, um suspiro. Mas bastou uma derrota para o Cruzeiro para que o time fosse puxado de volta à realidade, como quem acorda de um sonho bom demais para ser verdade.
Fora de casa, a história é cruel: derrotas para Palmeiras, Grêmio e Cruzeiro. Um único ponto arrancado no empate contra o 🐟Bahia🐟. O resto é silêncio, é ausência, é um time que não termina de chegar.
COLETIVA DE IMPRENSA
Como se não bastasse a crise de identidade, o técnico Jair Ventura enfrenta um elenco mutilado. Entre lesões e suspensões, o time se recompõe como pode — um remendo aqui, outro ali, tentando costurar competitividade onde sobra fragilidade.
- Desfalques: Martínez e Baralhas (suspensos)
- Pedro Henrique, Claudinho e Riccieli (transição)
- Jamerson, Mateus Silva, Marinho, Rúben Ismael, Dudu e Edu (lesão)
A esperança, como sempre, vem disfarçada de retorno. Renato Kayzer, artilheiro do time na temporada, reaparece como quem volta à cena final de um drama. Pode não resolver tudo, mas no futebol — como na vida — às vezes basta um homem acreditar para que o impossível ensaie existir.
A provável escalação traz mais dúvidas do que certezas, mais apostas do que convicções. Mas o futebol não é ciência exata — é emoção em estado bruto:
Lucas Arcanjo; Nathan Mendes, Camutanga, Cacá e Ramon; Caíque Gonçalves (Edenilson), Zé Vitor (Ronald) e Matheuzinho; Erick, Aitor Cantalapiedra e Renato Kayzer.
No fim, resta a pergunta que nenhum número responde: qual Vitória entrará em campo? O que impõe respeito ou o que implora por sobrevivência?
Porque, no futebol — como diria o poeta louco — o pior não é perder. O pior é acostumar-se.
PROVÁVEL ESCALAÇÃO


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