Zagueiro do Vitória sofre fratura no pé esquerdo, passa por cirurgia e desfalca a equipe por até seis meses — e prova que o futebol também é uma tragédia
Por Redação — Salvador | 13.04.2026
Há dores que o estádio não aplaude. Há derrotas que não aparecem no placar. Camutanga caiu — e, com ele, caiu o disfarce alegre do futebol.
Dirão os idiotas da objetividade: “foi apenas uma lesão”. E eu lhes digo, com a violência de quem viu: se os fatos estão contra mim, pior para os fatos. Não foi “apenas”. Foi uma tragédia com chuteiras.
Camutanga, zagueiro do Vitória, passou por cirurgia após fraturar o pé esquerdo na partida contra a Chapecoense. Um lance banal — como são banais todas as desgraças. O futebol tem dessas ironias: promete eternidade em 90 minutos e entrega um abismo em um segundo.
E aqui entra o óbvio ululante: o corpo do jogador não é de aço. É de carne, de osso e de destino. E o destino, meus caros, tem um senso de humor cruel.
“Fratura que comprometeu a articulação de Lisfranc, estrutura fundamental do pé”, explicou o departamento médico.
A medicina descreve. O futebol dramatiza. Porque não se trata de um pé — trata-se de um homem interrompido. Um profissional que vê o tempo escorrer como areia entre os dedos que já não sustentam o corpo.
Seis meses fora. Seis meses! No calendário comum, isso passa. No futebol, não. Tudo passa, menos a adúltera — e, ouso dizer, menos uma lesão grave. Essa fica. Ecoa. Marca.
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E não é a primeira vez. Camutanga já sofreu, já caiu, já voltou. O destino o persegue com a insistência de um credor. Só o inimigo não trai nunca. E o corpo, às vezes, é o mais íntimo dos traidores.
Titular, líder, presença — tudo isso agora se transforma em ausência. E ausência, no futebol, é uma espécie de morte provisória. O time segue, a bola rola, a torcida grita. E ele? Ele espera.
Dirão que o Vitória precisa seguir. E precisa mesmo. Porque o futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes. Mas não se enganem: há sempre alguém pagando o preço dessa importância.
O torcedor esquece. O campeonato avança. A vida continua — como se nada tivesse acontecido. Mas eu lhes digo: aconteceu tudo.
Porque no futebol — e talvez na vida — toda unanimidade é burra. Menos uma: a dor.
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