Programa Sou Mais Vitória alcança 45 mil associados e revela, mais do que números, uma paixão que beira o delírio coletivo
Mosaico da torcida em Vitória x Sport — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória / Divulgação
Por Redação Vitória em Destaque — Salvador | 14.04.2026
Alguns números são frios. Este não é. Este grita, sua, pulsa. Quarenta e cinco mil não são sócios — são uma multidão em estado febril.
O Vitória atingiu a marca de 45 mil associados ativos no programa Sou Mais Vitória. E aqui cabe uma confissão: o óbvio é que o torcedor não apoia — ele se entrega.
Dirão os burocratas que é fruto de “gestão”, “planejamento”, “momento positivo”. Bobagem. Eu vos digo: há algo de irracional nisso tudo. Porque o brasileiro é um feriado — e, no Barradão, vive-se um carnaval permanente.
São 45.043 almas, no momento desta escrita. Não são números. São testemunhas. São cúmplices. São devotos de um clube que, como todo amor verdadeiro, exige mais do que oferece.
“Esse número traduz o comprometimento da torcida com o clube”, disse o diretor Éder Miranda.
Traduz? Não. Trai. Porque o número jamais será capaz de traduzir o que se passa no coração de um torcedor Colossal. Se os fatos estão contra mim, pior para os fatos.
O crescimento do programa é atribuído ao bom momento dentro e fora de campo. Mas aqui cabe a pergunta incômoda: desde quando o torcedor precisa de “bom momento” para amar? O amor bem-sucedido não interessa a ninguém. O que fascina é o sofrimento.
E o torcedor do Vitória, esse personagem trágico, sabe sofrer como poucos. Por isso mesmo, agora que sorri, o faz com desconfiança — como quem já viu o destino virar a mesa sem aviso.
Os planos se multiplicam: Sou Leão da Barra, Sou Colossal, Sou Vermelho e Preto. Nomes diferentes para a mesma obsessão. Porque, no fundo, todos significam a mesma coisa: pertenço ao Leão da Barra.
E pertencer, no futebol, é perigoso. Porque o clube não devolve na mesma moeda. O clube exige. Cobra. Devora. Só o inimigo não trai nunca. O time, esse trai — e ainda pede aplauso.
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Mas há uma beleza nisso tudo. Uma beleza efêmera, é verdade. Porque a beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual. Ainda assim, enquanto dura, é arrebatadora.
O Vitória vive seu momento. A torcida responde. E juntos formam essa entidade quase mística que chamamos de clube.
Alguns dirão que é exagero. Eu respondo: toda unanimidade é burra.
Mas há uma unanimidade que resiste — silenciosa, obstinada:
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