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Vitória vence com “olé” e humilha o São Paulo no Barradão

Com um homem a mais e a alma cheia, o Vitória transforma o Barradão em tribunal e condena o São Paulo a uma derrota sem apelação

Vitória 2 x 0 São Paulo

Por Redação — Salvador | 12 de abril de 2026
Há vitórias que são números. Outras, são confissões. Esta foi um grito — um “olé” repetido até virar sentença.

O futebol, às vezes, é apenas futebol. Noutras, é tragédia grega. No Barradão, neste sábado, foi um pouco dos dois. O Vitória venceu o São Paulo por 2 a 0, mas o placar — como diria um cronista de outrora — é uma mentira tímida diante daquilo que se viu.

Cacá abriu o caminho como quem acende uma vela em noite de tempestade. Depois, já no segundo ato, Ramon escreveu o desfecho com um gol de almanaque — desses que não pedem licença, apenas acontecem. E quando acontecem, explicam tudo.

O São Paulo, que chegou com pose de vice-líder, saiu menor. Muito menor. Ainda mais quando perdeu Lucas Ramon, expulso no início do segundo tempo. A partir dali, o jogo deixou de ser jogo. Virou monólogo.

E o Vitória falou. Falou com a bola, com o corpo, com a insistência. Falou tanto que a torcida respondeu. E respondeu como só o torcedor brasileiro sabe: com ironia, com música, com aquele “olé” que não é canto — é provocação elegante.

O técnico Jair Ventura, com a serenidade dos que sabem mais do que dizem, resumiu: foi pouco. Disse que o placar ficou barato. E ficou mesmo. Porque o Vitória não venceu apenas no número. Venceu no domínio, na intenção, na coragem de ser maior dentro do próprio campo.

COLETIVA DE IMPRENSA

 

Houve chances perdidas, bolas na trave, triangulações que beiraram o delírio estético. Erick correu como quem foge do próprio cansaço. Renê tentou como quem acredita. E o time inteiro jogou como quem entende que futebol não é apenas tática — é estado de espírito.

Com o resultado, o Vitória sobe na tabela e se afasta do abismo. Sai da zona de desconfiança e respira um ar mais digno. Agora soma 14 pontos e olha para cima — ainda desconfiado, mas já esperançoso.

E há ainda a pequena grande história da noite: Jair prometeu um pix a Ramon. Promessa cumprida, dívida assumida. No futebol, como na vida, há coisas que se pagam em dinheiro — e outras em aplauso. Ramon recebeu ambos.

No fim, restou o som. O som da arquibancada. O som do escárnio leve. O som que ecoa quando um time domina outro sem piedade:

Olé. Olé. Ooooooolé.

E naquele instante, mais do que uma vitória, o que se viu foi uma verdade: o Barradão não é apenas um estádio. É um personagem.

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