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Vitória busca reconstruir a ponte com a torcida no Barradão após sequência de tropeços em casa

Com três derrotas nos últimos quatro jogos em casa, Rubro-Negro precisa vencer a Chapecoense e recuperar a confiança das arquibancadas na reta final do Brasileirão

Estádio Barradão


O Barradão, que tantas vezes foi o lugar onde o Vitória encontrou força quando faltava força, chega à reta final do Campeonato Brasileiro com uma pergunta incômoda: onde foi parar a antiga sintonia entre o time e a arquibancada? Contra a Chapecoense, nesta quarta-feira, às 20h (horário de Brasília), o Rubro-Negro não disputará apenas três pontos. Jogará também pela reconstrução de uma relação que começou a sofrer rachaduras depois de uma sequência de resultados ruins.

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A partida contra o lanterna do Brasileirão ganhou, portanto, uma dimensão que ultrapassa a tabela. Dentro de campo, o Vitória precisa aumentar a distância para a zona de rebaixamento. Fora dele, precisa reconquistar um torcedor que começou a trocar o canto pela cobrança e a esperança pela impaciência.

Depois da derrota no Ba-Vi, pela 24ª rodada da Série A, o Barradão deixou de receber multidões e passou a registrar seus menores públicos no campeonato. O golpe do clássico ainda teve um segundo ato doloroso: na sequência, o Vitória foi eliminado pelo Vasco na Copa do Brasil. A bola, naquele momento, começou a carregar também o peso da frustração.

A arquibancada começou a responder

Os números contam uma história que o estádio já vinha narrando em silêncio. Na Série A, os três menores públicos pagantes do Vitória aconteceram justamente em momentos recentes da competição: 8.885 torcedores contra o Grêmio, 12.856 diante do Cruzeiro e 14.660 contra o Palmeiras.

  • Vitória 1 x 0 Grêmio — 8.885 torcedores pagantes;
  • Vitória 1 x 3 Cruzeiro — 12.856 torcedores pagantes;
  • Vitória 0 x 4 Palmeiras — 14.660 torcedores pagantes.

A média do Vitória como mandante, depois de 13 partidas pela Série A, é de 18.976 pagantes. Contra o Cruzeiro, além de ficar abaixo dessa marca, o estádio virou palco de protestos. E não poderia ser diferente depois de um segundo tempo em que o time perdeu o controle da partida e acabou derrotado por 3 a 1.

“Todo mundo tem que estar preparado para críticas. Acho que a torcida sempre pode cobrar, desde que não tenha agressão. Como que eles não vão vaiar depois de um jogo desse? Temos que conviver com isso. A vida do atleta é isso, é saber que precisa dar a volta por cima.”

Jair Ventura não tentou fugir da realidade. O treinador reconheceu que a cobrança faz parte do futebol e admitiu que, pelo desempenho apresentado contra o Cruzeiro, as vaias eram consequência natural da atuação.

“Pelo nosso segundo tempo, tem que ser vaiado mesmo. Todo profissional do futebol tem que estar preparado para os momentos ruins.”

O Vitória precisa jogar 90 minutos

Para Jair, o problema não está simplesmente em perder. O que afasta o torcedor é a sensação de que a equipe deixa de competir. E essa diferença, no futebol, pode ser cruel: uma derrota pode ser compreendida; uma equipe que abandona a disputa, não.

“Nossa instabilidade afasta o torcedor. Eles querem ver o Vitória do primeiro tempo nos dois tempos. Eu também quero muito. A gente não pode deixar de competir. Uma coisa é perder jogando, outra coisa é não competir.”

A frase talvez seja o retrato mais preciso do momento. O Vitória precisa voltar a ser reconhecido pela própria torcida antes de pedir novamente o abraço da arquibancada. E esse abraço, no futebol, não se exige. Conquista-se.

Nos últimos quatro jogos em casa, o Rubro-Negro venceu apenas uma vez e perdeu três. É uma sequência que transforma qualquer mando de campo em uma espécie de tribunal. Cada erro passa a pesar mais. Cada gol sofrido vira uma cobrança. Cada minuto de apatia aumenta a distância entre o gramado e as arquibancadas.

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Cinco decisões no Barradão

O calendário oferece ao Vitória uma oportunidade e, ao mesmo tempo, uma cobrança. Depois da Chapecoense, ainda serão quatro partidas em casa: Athletico, Fluminense, Bragantino e Santos. São cinco compromissos diante do próprio torcedor até o encerramento do Campeonato Brasileiro.

O Barradão é tratado como a grande fonte de pontos do time de Jair Ventura. E os números explicam a razão. Dos 33 pontos conquistados pelo Vitória no Campeonato Brasileiro até aqui, 28 foram obtidos dentro de casa.

É quase uma declaração de dependência. O Vitória precisa do Barradão. E o Barradão, por sua vez, precisa voltar a acreditar no Vitória.

A partida que pode reabrir a porta

A Chapecoense chega como lanterna do campeonato, mas isso não diminui o tamanho da responsabilidade. Pelo contrário. Em partidas assim, o favoritismo pode virar armadilha. O Vitória sabe que precisa vencer, mas também sabe que a torcida estará observando cada movimento.

O jogo desta quarta-feira pode ser apenas mais uma rodada para quem olha a tabela. Para o Vitória, será mais do que isso. Será uma tentativa de reconstrução.

Porque existe um tipo de silêncio que preocupa mais do que a vaia. É o silêncio de quem deixa de acreditar. E o Vitória ainda tem tempo para impedir que esse silêncio tome conta do Barradão.

Nesta reta final, Jair Ventura e seus jogadores terão de fazer aquilo que todo time precisa fazer quando a temporada aperta: competir. Por 90 minutos. Sem atalhos. Sem pedir paciência à torcida antes de oferecer futebol. A reconciliação começa com a bola rolando — e com o Vitória disposto a lutar por cada uma delas.

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