Clube tenta contar com o atacante diante do Coritiba, enquanto o futebol pune quem denuncia o errado
Por Redação do Vitória em Destaque — Salvador | 01/05/2026
No futebol brasileiro, há um crime maior do que perder: dizer a verdade. E Erick disse. Disse com o sangue quente, com a alma ainda suada, com o coração em estado de guerra. Disse — e foi punido. Eis o paradoxo nacional: o erro pode existir, mas a denúncia não pode respirar.
O Vitória, que não é feito de silêncio nem de resignação, entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pedindo efeito suspensivo para o atacante. Quer libertá-lo, ainda que provisoriamente, da sentença que o condena a dois jogos fora — um castigo que parece mais moral do que esportivo.
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A punição nasceu das palavras. Não de um carrinho violento, não de um soco, não de um gesto obsceno — mas de uma frase. Erick disse que o time foi prejudicado. E no futebol brasileiro, meu amigo, há frases que doem mais do que pancadas.
O recurso foi protocolado no mesmo dia do julgamento, como quem tenta apagar um incêndio ainda em chamas. A resposta pode vir horas antes do confronto contra o Coritiba, neste sábado, às 18h30, no Barradão — esse estádio que não aceita covardes nem silêncios convenientes.
Enquanto isso, Erick treina. Treina como quem espera absolvição. Concentra como quem aguarda um veredito que não é apenas jurídico, mas simbólico. O atacante é hoje mais do que um jogador: é o retrato de um sistema que tropeça nas próprias contradições.
Com sete gols e oito assistências em 23 partidas, ele não é apenas o principal nome ofensivo do time. É também a voz que escapou do roteiro — e por isso mesmo, foi enquadrada.
O Vitória, ao recorrer, faz mais do que defender um atleta. Defende o direito de gritar num esporte que, às vezes, prefere o sussurro cúmplice. Porque no fim das contas, o futebol não é feito apenas de gols — mas de coragem.
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